segunda-feira, 26 de maio de 2008

O Advento da I Guerra Mundial:“A Anatomia da Guerra: Actores e Desenvolvimentos Estratégicos”.

A Primeira Guerra Mundial
Introdução:

A Primeira Guerra Mundial, também, conhecida pela Grande Guerra foi o primeiro conflito que envolveu directamente as grandes potências do mundo.
Este conflito de nível mundial ocorreu desde o mês de Agosto de 1914 até ao dia 11 de Novembro de 1918 e alterou a organização social, política e geográfica do mundo.
No século XX, o clima de tensão entre as potências é tão grande que um conflito internacional já se torna inevitável, os países procuram então organizar os exércitos, produzir armamentos e fazer acordos entre si para garantir força na disputa.

Desenvolvimento:

A principal causa do inicio do primeiro conflito mundial deu-se a 28 de Junho de 1914, com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro e de sua esposa, em Sarajevo na Bósnia-Herzegovina, pelo estudante sérvio Gravilo Princip pertencente ao grupo nacionalista- terrorista armado “Mão Negra”. Este grupo tinha como objectivo evitar e impedir a reunificação e reorganização do império, incluindo a Sérvia no Império Austro-húngaro.
Este incidente desencadeou os eventos que rapidamente deram origem a uma enorme crise diplomática e militar. A 28 de Julho de 1914, a Áustria declarou guerra a Sérvia. A este factor veio juntar-se a vontade de fazer a guerra por parte de uma ou diversas potências com o desejo de instaurar e impor a sua hegemonia. A Primeira Guerra Mundial estendeu-se à Europa e ao resto do mundo em consequência da Paz Armada.
No princípio do verão de 1914, pensa-se que a guerra não duraria mais do que algumas semanas e no pior dos casos alguns meses, no qual a estratégia dos beligerantes assenta nas características de uma guerra curta e cuja decisão final será encontrada no decurso dos primeiros confrontos, é uma guerra de movimentos que se caracterizou por movimentos rápidos, envolvendo grandes exércitos.
Constituem-se dois grandes blocos, de um lado, a Sérvia, objecto do ultimato austríaco e da declaração de guerra; Montenegro; a Rússia aliada e protectora da Sérvia; a França aliada da Rússia que está a ser alvo de intimidações por parte da Alemanha; a Bélgica que recusou ceder ao ultimato alemão e o Império Britânico como signatário do Tratado de Londres estava comprometido a preservar a soberania belga, os portos belgas eram demasiados importantes para cair nas mãos de uma potência continental hostil enviando, por isso, um exército para a Bélgica atrasando, assim, o avanço alemão; as colónias francesas; e, por fim, o Japão que, também, entra para a guerra em 1914.
.Este julga ter mais vantagens em entrar na guerra do que permanecer neutro e, por isso, declara guerra a Alemanha e, por um lado, fá-lo em virtude do tratado que o unia a Inglaterra e, por outro lado, porque a ocasião lhe pareceu boa para se apoderar das bases alemãs na China. Todos eles declararam guerra à Alemanha.
Por outro lado, dois impérios centrais a Áustria-Hungria e a Alemanha.
A guerra vai prolongar-se e nos primeiros meses nenhum beligerante conseguiu assegurar essa vantagem decisiva que deveria levar à vitória e ao fim da guerra. A Alemanha consegue derrotar a Rússia numa série de confrontos, mas numa contra ofensiva em conjunto das forças francesas e inglesas conseguiram parar os alemães á caminho de Paris, é a chamada I Batalha do Marne.
Eis os beligerantes obrigados a rever os seus planos, ambas as partes instalam-se na guerra, as frentes imobilizam-se e passa-se de uma guerra de movimento a uma guerra de posição, com uma frente contínua que torna a penetração impossível.
É o regresso da velha guerra do passado, á guerra do cerco que se desenrola ao longo de centenas de quilómetros e opõe milhares de homens.
Esta fase de guerra foi, também, conhecida pela guerra das trincheiras, os exércitos defendiam as suas posições utilizando uma extensa rede de trincheiras que eles próprios cavavam, protegidas por arame farpado dedicando-se a ataques violentos e de efeitos locais. Ao mesmo tempo que se foi alastrando, o conflito tornou-se cada vez mais trágico, existindo novas armas, como o canhão de tiro rápido, a baioneta, as granadas, o gás venenoso, o lança-chamas, os aviões e os submarinos que faziam um número cada vez maior de vítimas. O exército alemão impunha-se cada vez mais derrotando o mal-treinado e mal-armado exército russo
Em Maio de 1915, é a vez da Itália abdicar da sua neutralidade e entrar na guerra ao lado do Tríplice Entente, em Outubro desse mesmo ano, a Bulgária junta-se a Tríplice Aliança como o objectivo de se poder vingar da Roménia e da Sérvia.
Em Março de 1916, Portugal como aliado tradicional da Inglaterra decidiu entrar para a guerra, através do envio de uma divisão para a frente francesa e o aprisionamento de todos os navios alemães na costa portuguesa e, também, pelo envio de tropas para a defesa das colónias portuguesas ameaçadas pela Alemanha.
Em Agosto, a Roménia junta-se aos aliados e as colónias africanas francesas e inglesas seguem o destino dos seus colonizadores. E tomam parte no esforço da guerra, fornecendo combatentes e servem, também de palco de operações, acabando por a França e a Inglaterra ocuparem umas atrás das outras as colónias alemãs em África.
O ano de 1916 foi conhecido como o “Ano de Verdun”, a Alemanha e a França esgotaram-se sem que nenhuma delas tivesse adquirido qualquer vantagem.

Em 1917, os dois campos estão próximos do ponto de ruptura e nisto está a importância capital desse ano. Diversos países aproximam-se do momento crítico em que tudo se tornaria possível: a capitulação e a Paz Branca (paz que recolocaria tudo como estava antes da guerra) é o ponto de viragem da guerra.


É nesse ano que a Rússia decide sair da guerra devido a várias razões, a primeira são as revoluções socialistas no país que derrubaram o Czar Nicolau II e que modificaram bruscamente a relação de forças em detrimento dos aliados. Por mais que existe vontade por parte do governo russo em continuar a sua intenção de prosseguir a guerra e de se manter fiel aos seus compromissos internacionais, as revoluções cedo desorganizam a máquina de guerra.
A Rússia foi o primeiro país a ceder porque tinha sido o país que tinha pago o tributo mais pesado em homens e que sofrera as maiores perdas, estava mal preparada para a guerra e durante três anos, os soldados russos colmataram estas carências à força de coragem, mas o cansaço acabou por vencê-los.
A sua retirada ficou conhecida como a Paz Separada de Brest-Litovsk e que consistiu numa ruptura do equilíbrio que os estados-maiores procuravam, produziu-se ao favor da Alemanha aproveitando logo para deslocar para oeste a quase totalidade das suas forças, onde os franceses e os ingleses mal conseguiram suster esse avanço alemão.
Em Abril de 1917, deu-se um grande acontecimento no desenrolar da Primeira Guerra que foi a entrada dos Estados Unidos da América na guerra. Esse acontecimento deixou antever o restabelecimento do equilíbrio e mesmo a sua inversão com vantagem para o ocidente.
Os E.U.A. decidiram entrar para a guerra através de um enorme apoio financeiro e económico aos aliados e contra a Alemanha devido a esta ter decidido afundar sem aviso prévio todos os navios e os navios neutros que se encontravam a caminho dos portos britânicos e de todos os submarinos.
Em Novembro de 1917, dá-se uma reviravolta e faz com que a França (peça fulcral de coligação) com a chegada de Clemenceau á presidência do concelho, forma um governo que tem como programa fazer a guerra até ao fim e põe fim às negociações.
Em Julho de 1918, o fortalecimento das forças inglesas, francesas e americanas lançaram um ataque definitivo contra os alemães forçados a retroceder. A guerra já está virtualmente vencida pelos aliados. A Bulgária retira-se do conflito e a Turquia rende-se, o Imperador da Áustria assina o armistício, depõe as armas e abandona o conflito. Mas a guerra continua porque Wilson exige a deposição do Kaiser. A Alemanha continua a guerra sozinha e sem condições de resistir ao bloqueio aliado, liderado pelos Estados Unidos, que privam não só o exército alemão, como toda a Alemanha, não de armamentos, mas de lubrificantes, borracha, gasolina e sobretudo de alimentos e a precária situação de saúde dos civis aumenta, agrava-se a situação política e o país encontrava-se à beira de uma revolução social. Na Baviera é proclamada a república e um decreto anuncia a abolição do Kaiser, Frederich Ebert, líder dos socialistas assume o poder e negoceia a rendição.
Em 11 de Novembro de 1918, o Marechal Foch, comandante dos exércitos da Entente, assina uma convenção de paz com os representantes da Alemanha com condições específicas bastante desvantajosas para esta e, em 1919, é assinado o Tratado de Versalhes através de uma conferência de paz.



Conclusão:
Em 1914, a Europa detinha uma preponderância incontestada e universal onde a guerra acabou por abalar todos os fundamentos dessa preponderância. A Primeira Guerra Mundial conhecida como a guerra destinada a acabar com todas as guerras, plantou as sementes da Segunda Guerra Mundial. O nacionalismo e o militarismo não desaparecem e acabam por aparecer novos totalitarismos. Entretanto, o conflito muda a face do mundo, notou-se ascensão de novas potências que desenvolvem as suas economias nacionais, dando mais importâncias e um uso mais racional das matérias-primas e da força de trabalho (mão-de-obra). O comércio mundial ganha novos contornos, mas as esperanças de um novo tempo sob o signo da Democracia são logo abandonados.







Trabalho realizado por:
Olívia Machado
Alexandre Machado

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