terça-feira, 3 de junho de 2008

o fim da guerra fria: uma nova ordem internacional

As Revoluções pós- 1989: “A Decomposição da Jugoslávia”

INTRODUÇÃO

A Jugoslávia constituía um Estado Federado e possuía um regime socialista e algumas particularidades menos evidentes. Era constituída por sete repúblicas (Sérvia, Croácia, Eslovénia, Bósnia – Herzegovina, Macedónia, Montenegro); duas províncias autónomas (Vojvodina e Kosovo); e seis nações (sérvios, croatas, eslovenos, macedónios montenegrinos e muçulmanos). Possuía ainda várias minorias étnicas: húngaros, checos, albaneses, búlgaros, entre outros; três línguas oficiais: servo – croata, macedónio e esloveno; dois alfabetos oficiais: latino e cirílico. Toda esta diversidade se encontrava reunificada por Tito (Josip Broz Tito), sob um regime totalitário.
Saliente-se ainda o facto de o Estado Jugoslavo se situar no centro e norte da Península Balcânica, rodeada por sete Estados vizinhos pertencentes a blocos políticos opostos (Itália, Áustria, Hungria, Roménia, Bulgária, Grécia e Albânia).

A Península Balcânica sempre foi palco de inúmeros confrontos entre civilizações e culturas.

UNIÃO

No início do século XX (1912-1913) travam-se duas guerras balcânicas pela posse do território da Macedónia. Na primeira Guerra Balcânica, os turcos são derrotados pela coligação feita entre a Sérvia, Montenegro, a Grécia e a Bulgária. O resultado desta guerra foi a divisão da Macedónia entre a Bulgária, a Grécia e a Sérvia. Em 1913, na segunda guerra balcânica, a Bulgária é derrotada pelos sérvios e gregos, sendo decidida a partilha da Macedónia através do Tratado de Bucareste. No final destes conflitos, a Sérvia quase duplicou o seu território e recuperou o Kosovo.
Na sequência do assassinato do Arquiduque Francisco Fernando (28 de Junho de 1914), em Sarajevo, a Áustria começa a fazer inaceitáveis exigências à Sérvia, os blocos aliados agrupam-se dos dois lados e desencadeia-se a I Guerra Mundial.
Aquando do final da guerra e do colapso dos impérios, a ideias pan-eslavas triunfam e, em 1919, é criado o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos são uma dinastia sérvia (os kardjorfjevic). O reino era muito diversificado.
Tal como o reino, também os pensamentos dos povos eram muito diversificados, sendo que o reino atravessou momentos instáveis e, em 1929, o rei Alexandre muda o nome do reino para Jugoslávia, numa tentativa de unificação do reino. Todavia, o avanço das ideias nacionalistas na Europa, faz-se sentir também na Jugoslávia, levando ao aumento das divergências entre as duas nações maioritárias: os sérvios e os croatas.
A Jugoslávia acaba por ser facilmente absorvida com o desencadear da II Guerra Mundial, ao ver-se rodeada por potências do Eixo. Nesta altura, o nacionalista Ante Pavelic, juntamente com o seu movimento Ustasha, dá origem ao Estado Croata Independente. Este constituía um estado pró-nazi e englobava parte do território da Croácia e parte da Bósnia. O regime deste estado caracterizou-se pela feroz perseguição e genocídio de sérvios, judeus e ciganos em campos de concentração. Outras partes do território da Jugoslávia são divididas pela Itália, Alemanha, Hungria e Bulgária.
A resistência a toda esta dominação vai ser significativamente forte, criando-se movimentos de resistência, sendo eles os Chetniks (movimento constituído quase exclusivamente por sérvios, que pretendia restaurar a soberania sérvia) e os Partisan (a sua base de apoio era constituída por sérvios, por croatas oposicionistas aos Ustasha, por muçulmanos e outros grupos étnicos).
No final da guerra, o grupo Partisan sai vitorioso ao lado dos aliados e os comunistas põem em prática o seu projecto, reunificando a Jugoslávia debaixo da ditadura comunista de Tito. Com tudo isto, cria-se a República Socialista Federativa da Jugoslávia, constituída pelas Repúblicas Socialistas da Sérvia, da Croácia, da Bósnia Herzegovina , da Eslovénia, de Montenegro e da Macedónia.
A Constituição Jugoslava de 1946 cria a Região Autónoma do Kosovo-Metohija. Tito leva a Jugoslávia a ocupar uma posição própria no plano internacional, ao romper com o modelo soviético devido às divergências com Estaline. Posto isto, Tito virá a ser um dos fundadores do Movimento dos Países Não Alinhados (1956).
O sistema constitucional da Jugoslávia foi alterado mais do que uma vez, a Constituição de 1974 cria a Província Autónoma do Kosovo (ao mesmo tempo é criada a Província Autónoma da Vojvodina), com governo e parlamento próprios. As Províncias Autónomas têm assento na presidência colectiva da Federação Jugoslava.

Em 1980, Tito morre, sucedendo-lhe uma presidência colectiva formada pelos presidentes das Repúblicas, tendo uma chefia rotativa. A pouco e pouco inicia-se a cisão dos Estados.


Separação
As pequenas repúblicas que formavam a Jugoslávia começaram a demonstrar o desejo do fim do partido único e da instalação de uma democracia. Também queriam ter mais autonomia; foi assim que a Jugoslávia começou a entrar em crise.
A decomposição da Jugoslávia começou em 1989, quando Slobodan Milosevic (ascendeu a líder dos comunistas em 1987) eleito, por sufrágio universal, presidente da Sérvia. Este sempre fomentou o nacionalismo, portanto retira o estatuto de Autonomia do Kosovo. Com o apoio da Alemanha e de outras potências à Croácia dirigida por Franco Tudjman, autorizou e promoveu a limpeza étnica contra os sérvios. Também continuou com a guerra da Bósnia-Herzegovina, com o massacre da minoria sérvia da Krajina e de minorias muçulmanas e outras, com o armamento da guerrilha fundamentalista muçulmana no Kosovo.
.No final da Guerra Fria, as alterações no plano internacional, vão fomentar as alterações na Jugoslávia. A Eslovénia e a Croácia, que eram as repúblicas mais ricas, iniciam a sua democratização e reclamam a independência.
O ano de eleições nas Repúblicas da Jugoslávia foi 1990.
Com os resultados eleitorais, o avanço das forças nacionalistas fez renascer velhas aspirações hegemónicas.
Os Sérvios, ‘ sonhavam ’ com a “Grande Sérvia”, constituída por todos os territórios onde vivessem sérvios, mesmo que em minoria. Incluiria, além da Sérvia e de Montenegro, grande parte da Bósnia, da Herzegovina, os territórios da Krajina, a Eslavónia, Baranja, a Macedónia, o Kosovo e a Vojvodina.
Os croatas pretendiam a “Grande Croácia”, abrangendo todos os territórios que em períodos divergentes estiveram mais ou menos sob a dependência croata. Incluiria a Ístria, a Dalmácia e Dubrovnik, a Eslavónia, alguns territórios que já faziam parte da Croácia, assim como a Herzegovina, parte da Bósnia central e do norte.
Por sua vez, os albaneses pretendiam uma “Grande Albânia”, reunindo territórios onde habitasse população albanesa como o Kosovo, o sul da Sérvia e de Montenegro, e parte da Macedónia e do noroeste da Grécia.
Para os macedónios: uma “Grande Macedónia”, como recordação histórica da Nação de Filipe e Alexandre, incluindo a Macedónia jugoslava e a Macedónia grega, tal como outros territórios de fronteira com os estados vizinhos. Os conflitos existentes com os gregos têm origem na simples pretensão à adopção do nome ‘Macedónia.
Em 1991 chamou-se República Federal da Jugoslávia (RFJ) à formação das repúblicas remanescentes da Sérvia e do Montenegro. Em 2003, o nome Jugoslávia foi oficialmente abolido quando o estado foi transformado numa comunidade pouco sólida chamada Sérvia e Montenegro. A 21 de Maio de 2006 realizou-se um referendo para determinar a vontade do povo de Montenegro de se tornar independente ou de manter a união com a Sérvia. Os resultados indicaram que os eleitores haviam escolhido a independência. Em 3 de Junho de 2006 o parlamento montenegrino declarou oficialmente a independência do novo país.
Já a 17 de Fevereiro de 2008, o parlamento do Kosovo aprovou, unilateralmente, a declaração da independência da província feita pelo primeiro-ministro Hashim Thaci durante uma sessão especial na capital, Pristina.



CONCLUSÃO

É importante mencionar que todos estes estados se unem por um objectivo comum: a autodeterminação nacional.
Esta (autodeterminação nacional) tem tendência a aumentar na medida em que aumenta a interdependência económica, a formação de blocos económicos (como a União Europeia e a Mercosul) e as uniões políticas se vão integrando num mundo globalizado. Esta situação parte da crença de que as nacionalidades que conseguem constituir-se em Estados têm maior possibilidade de fazer parte do sistema global. Este colapso político é um recuo para a Europa, porque não resulta do exercício dos direitos democráticos das populações, mas sim de lógicas militares de exclusão e de violência persecutória, que rejeitam os direitos das minorias étnicas em cada caso. O problema humanitário dos Balcãs é a falta de respeito por todas as minorias, e é tão grave conceber uma Sérvia sem kosovares como um Kosovo sem sérvios. Divisão geográfica dos territórios.
Após ser dividida em 1991, a antiga Jugoslávia deu origem às seguintes unidades territoriais, actualmente:
República da Croácia:
Em 25 de Junho de 1991, após plebiscitos que deram vitória esmagadora aos separatistas, os croatas anunciaram sua separação da Jugoslávia. Logo em seguida, o território croata foi invadido pelo Exército federal, que interveio em favor das minorias sérvias residentes na Croácia (cerca de 12% da população). Como os croatas enfrentavam dificuldades para resistir à ocupação de seu território, as Nações Unidas intervieram militarmente para assegurar a paz. Em 1992, o país foi reconhecido como independente. O governo de Franjo Tudjman, no entanto, esteve muito longe dos ideais democráticos que apregoava: censura à imprensa, expulsão de sérvios residentes no país e intervenção no conflito bósnio marcaram sua administração, encerrada com sua morte, em 1999. Desde então, a Croácia enfrenta problemas similares aos de outros países do Leste Europeu: desemprego, corrupção e crise económica.



República da Bósnia e Herzegovina:
Depois da Croácia, a República da Bósnia e Herzegovina abandona a federação, em 1991, os croatas bósnios e os muçulmanos aprovaram um referendo a favor da criação de uma república multinacional e independente. Mas os sérvios bósnios recusaram separar-se da Jugoslávia, que nessa altura se encontrava sob o domínio da Sérvia. Em 1992, a Bósnia e Herzegovina foi arrastada para uma guerra civil sangrenta e devastadora, em que as populações acabaram por ser saneadas das regiões tomadas por cada nacionalidade. Em 1995 foi assinado o Acordo de Dayton e desde essa altura as forças da Organização das Nações Unidas encontram-se no território para garantir o cumprimento dos acordos de paz.

República da Sérvia e Montenegro:
A Sérvia e Montenegro foi um estado federal com aproximadamente três anos de duração (de 2003 a 2006) situado nos Balcãs, último vestígio da antiga Jugoslávia, e composto, como o nome indica, pelas repúblicas da Sérvia e de Montenegro. Confinava a norte com a Hungria, a leste com a Roménia e a Bulgária, a sul com a Macedónia e a Albânia e a oeste com o Mar Adriático, a Bósnia e Herzegovina e a Croácia.
A República da Sérvia e Montenegro, em 2006, deu origem à:
-República da Sérvia;
-República de Montenegro;
3.1. República da Sérvia (a província autónoma do Kosovo encontra-se actualmente sob tutela internacional):
A Sérvia é um país europeu, cuja capital é Belgrado, localizado no sudeste da Europa, na região balcânica. Faz fronteira a sudoeste com Montenegro, país do qual se separou em 2006, a oeste com a Bósnia e Herzegovina, a noroeste com a Croácia e com a Macedónia, ao leste com a Roménia e a Bulgária e ao norte com a Hungria. A província do Kosovo, no sul, proclamou sua independência unilateralmente em 17 de Fevereiro de 2008, mas o governo sérvio não a reconhece.
É uma ex-república jugoslava, tendo integrado, até Junho de 2006, uma confederação com Montenegro denominada Sérvia e Montenegro. No dia 5 de Junho do mesmo ano, a Sérvia declarou sua independência, 2 dias após Montenegro ter feito o mesmo. No entanto, a Sérvia foi reconhecida como o estado sucessor da união, que por sua vez sucedia a República Federal da Jugoslávia.

3.1.1. O Kosovo:
O Kosovo é um país na região dos Balcãs, sudeste da Europa. Após a falha das negociações internacionais para atingir um consenso sobre o estado constitucional aceitável, o governo provisório do Kosovo declarou-se unilateralmente um país independente da Sérvia em 17 de Fevereiro de 2008, sendo reconhecido no dia seguinte pelos Estados Unidos e alguns países europeus, como a França; porém, o país ainda é reivindicado pela Sérvia e não recebeu o reconhecimento de outros países como a Rússia a Espanha e Portugal.

3.2. República de Montenegro:
Montenegro é o mais recente país independente do Mundo.
Entre 1945 e 1991 e desde então até 2003 foi uma das repúblicas constituintes da República Socialista da Jugoslávia e da República Federal da Jugoslávia, respectivamente; desde então e até Junho de 2006, foi uma das duas repúblicas que integraram o Estado da Sérvia e Montenegro.
Em 21 de Maio de 2006 realizou-se um referendo para determinar a vontade do povo de se tornar independente ou de manter a união com a Sérvia. Os resultados indicaram que 55.5% dos eleitores haviam escolhido a independência, poucos décimos acima dos 55% requeridos pelo referendo. Em 3 de Junho de 2006 o parlamento montenegrino declarou oficialmente a independência do novo país, mas só obteve aceitação da ONU dia 28 de Junho.

República da Eslovénia:
Após o final da Segunda Guerra Mundial em 1945, As Repúblicas da Eslovénia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedónia, Sérvia e Montenegro formaram a República Socialista Federal da Jugoslávia. Em 1990, após a realização das primeiras eleições multipartidárias na Jugoslávia, a Eslovénia decidiu separar-se da Federação Jugoslava. Em 1991, a Eslovénia foi reconhecida pela União Europeia, à qual aderiu em 1 de Maio de 2004.

República da Macedónia:
A República da Macedónia é um país balcânico que até 1991 fazia parte da Jugoslávia.
1945 - Criação da República Socialista Federal da Jugoslávia. A Macedónia integrou o novo estado como uma de suas seis repúblicas constitutivas.
1991 - Em 8 de Setembro, um plebiscito decidiu pela separação da Macedónia da Jugoslávia.
1993 - Em Abril, a Macedónia foi admitida como membro da Organização das Nações Unidas, com o nome de "Antiga República Jugoslava da Macedónia".

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Curso de Verão

Democracia: Crise e Renovação
Óbidos, 19 a 21 de Junho de 2008



Coordenação Científica: Prof. Doutor José Esteves Pereira
Prof. Doutor Carlos Motta
Prof. Doutor António Costa Pinto
Doutora Madalena Meyer Resende


Apresentação
O desmoronar do comunismo pareceu trazer a vitória do liberalismo político e sua implementação em regimes democráticos por todo o planeta, eliminando o último dos redutos ideológicos que resistiam ao irresistível avançar da democracia liberal e da economia de mercado.
Contudo, se o fim do milénio foi testemunha de uma nova vaga democrática, a primeira década do século XXI é testemunha de um retrocesso em vários continentes em termos de liberdades económicas e políticas. Vários processos de democratização estagnaram ou regridem e vários regimes autoritários permanecem entrincheirados nas suas posições. Também em democracias consolidadas forças políticas e tendências anti-liberais desafiam a ordem liberal, interrogando os falhanços da democracia em cumprir algumas promessas.
Todos estes temas nos levam a reflectir sobre as bases ideológicas da democracia e da anti-democracia, assim como a revisitar o processo de acomodação das principais ideologias dos séculos XIX e XX à democracia liberal.
Nesta edição da Escola de Verão em Óbidos o IPRI-UNL junta-se ao debate sobre os desafios à expansão da ordem liberal, nomeadamente debatendo os casos de ideologias que informam e se opõe à agenda democrática e legitimam as várias formas de autoritarismo político. Ilustrando estas tipologias abordaremos vários casos de ressurgência de regimes iliberais, na Europa e na América Latina.


Programa
Democracia: Crise e Renovação
19 – 21 Junho 2008
Museu Municipal de Óbidos


1) Metodologia
O curso tem a duração de três dias, entre 19 e 21 de Junho, e é composto por seminários académicos, dedicados ao tema “Democracia: Crise e Renovação” e mesas redondas de carácter mais geral sobre matérias relacionadas com o tema, e abertas à participação do público (entrada livre).
O curso está aberto à participação de todos os interessados, sendo que estudantes de Relações Internacionais, Ciência Política e História terão a possibilidade de se candidatar a bolsas de alojamento.

2) Indicações Logísticas
Os participantes deverão chegar a Óbidos no dia 19 até às 09:00 horas. Os trabalhos terminarão no sábado, dia 21, pelas 20.00. Para os participantes que incluam alojamento será providenciado o transporte do local de alojamento para a vila de Óbidos em horário compatível com as sessões de trabalho.

a) Local
Óbidos.

b) Alojamento
Para os participantes cuja inscrição inclua alojamento, ficarão instalados na Hospedaria Louro, em Óbidos.

c) Refeições
Todos os participantes inscritos terão direito a almoço após as sessões de trabalho da manhã, bem como aos coffee breaks referidos no programa. Está prevista a realização de um jantar de convívio, na noite de 20 de Junho, mediante inscrição.

3) Inscrições
Estão previstas quatro modalidades de inscrições:
Geral – 155 Euros (Inclui alojamento; almoço e documentação. Número limitado às vagas existentes)

Estudantes – 130 Euros (Inclui alojamento; almoço e documentação. Número limitado às vagas existentes)

Parcial – 105 Euros (Inclui almoço e documentação)

Diário – 35 Euros (Inclui almoço e documentação)

O pagamento será realizado em duas fases: 50 % no acto de inscrição e o restante no primeiro dia do curso. Poderá ser efectuado em cheque ou dinheiro.

para mais informações :
http://www.ipri.pt/eventos/evento.php?ide=93

Curso de Verão - 2 a 4 julho de 2008

AMÉRICA LATINA HOJE


O Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-ISCTE) e a Casa da América Latina criaram o curso de verão AMÉRICA LATINA HOJE com o objectivo de, em três dias, proporcionar conhecimentos básicos sobre o continente e as suas múltiplas realidades nas dimensões histórica, política, económica e social. Foram convidados especialistas nacionais e estrangeiros para leccionar os 4 módulos que compõem o curso, além de dois conferencistas com publicações recentes sobre temas da actualidade latino-americana.

Destinado a estudantes, investigadores e a todas as pessoas que se interessam pela América Latina, o curso combina ainda uma componente cultural, com a projecção do filme do cineasta Walter Salles “Diários de Motocicleta” (2004) e um concerto de homenagem à bossa nova que em 2008 celebra 50 anos.

As inscrições estão abertas até 22/06/08 e serão atribuídas bolsas no valor da inscrição (candidaturas até 21/05/08).

Os alunos terão direito a um certificado de participação.

Programa, ficha de inscrição e mais informações disponíveis em
www.c-americalatina.pt
www.cies.iscte.pt

Situação da Europa no Pôs Primeira Guerra Mundial

Situação Económica:
- Económia euopeia fragilizada, altamente dependente do comércio externo com os EUA;
- Comércio europeu em dificuldades;
- Económia nacional dos intervenientes da guerra destruida;
- Difícil reconversão da industria bélica;
- Falencia de vários bancos devido ao não pagamento dos empréstimos contraidos pelos países.

Situação Política:
- Novo mapa político;
- Desmorunamento de quatro grandes impérios: império alemão, russo, austro-húngaro e turco;
- Desaparecimento de várias ditaduras e nascimento no seu lugar de democracias (repúblicas parlamentares).

Situação Social:
- Enorme desconforto social;
- Populações envolvidas em privações;
- Grande decepção devido á duração da guerra e aos imenso esforço de trabalho durante esta;
- Valores tradicionais abalados por tão imensa carnificina e por tão grande desordem material;
- Classes médias e ex-combatentes perderam a confiança nas virtudes do trabalho e da poupança.

Situação Demográfica:
- Grande mortalida derivada da guerra, cerca de 10 milhões de europeus mortos: 2040000 da Alemanha, 1800000 da Rússia, 1300000 da França, 1100000 da Áustria – Hungria, 750000 do Reino Unido e 670000 da Itália.

Situação Geográfrica:
- Formação de novos países (Jugoslávia, Checoslováquia, Polónia, Estónia, Lituánia, Finlândia, Letónia e Iraque).

Conferência de Paris em 1919

Na Conferência compareceram representantes dos 27 Estados vitoriosos, muitos dos quais da América Latina, que nem tinham tido intervenção directa no conflito. Na prática a Conferência foi obra, principalmente, do “Conselho do Dez” (formado por dois representantes da França, dos EUA, do Reino Unido, da Itália e do Japão) e depois no “Conselho dos Quatro”, no qual se reuniram Clemenceau, presidente do conselho francês, Wilson, presidente dos Estados Unidos, Lloyd George, primeiro ministro britânico, e Orlando, presidente do conselho italiano.
Contrariamente ao que se havia passado no Congresso de Viena em 1815, na Conferencia de Paris apenas os vencedores foram admitidos na discussão. Os países vencidos, e certos países como a Rússia e outros neutrais tais como a Espanha, a Suíça, etc..., foram excluídos do processo de instauração de paz.
O presidente Wilson havia definido sozinho, nos “14 pontos” que apresentara ao Congresso em Janeiro de 1918, as bases em que a paz deveria ser estabelecida.
O único problema durante a Conferência foi o visível desentendimento entre o sentimento de vingança de Clemenceau em castigar a Alemanha pelos seus actos e impedir qualquer novo ataque vindo desta e o idealismo de Wilson ao pretender estabelecer a paz universal. Para isso, segundo Wilson seriam necessários dois elementos: o direito á auto-determinação dos povos e a criação de uma “liga das nações” para ditar o direito internacional e cuja autoridade se imporia a todos os Estados.
Tratado de Versalhes
O Tratado de Versalhes (1919), tendo por base os “14 pontos” do presidente Wilson, foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias e pelos Estados Unidos que encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial. Após seis meses de negociações, em Paris, o tratado foi assinado como uma continuação do armistício de Novembro de 1918, em Compiègne, que tinha posto um fim aos confrontos.
Algumas das prerrogativas impostas a Alemanha foram:
- Reintegração da Álsacia e Lorena no território francês, a datar do armistício de 11 de Novembro de 1918;
- Em compensação de destruição das minas de carvão no Norte da França a Alemanha cede à França a propriedade inteira e absoluta das minas de carvão situadas na bacia do Sarre;
- A Alemanha teve de reconhecer e respeitar a independência dos novos Estados: Polónia, Checoslováquia e Áustria;
- O seu território ficou reduzido em 13,5% (cerca de 7 milhões de habitantes) e foram-lhe retiradas as propriedades ultramarinas;
- A área da Prússia Este passou a pertencer à Lituânia, enquanto que a região dos Sudetas passou para a Checoslováquia;
- O exército alemão foi reduzido para cerca de 100 000 soldados apenas para defesa nacional;
- Desmilitarização da margem esquerda do Reno e pela ocupação da margem direita do mesmo rio durante quinze anos com retiradas de um terço dos efectivos de cinco em cinco anos por forças vencedoras;
- Todos a frota alemã que não esteja em portos alemães deixar lhe a de pertencer;
- Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por tê-los causado, por todas as perdas e danos, sofridos pelos Governos aliados e associados e seus naturais, em consequência da guerra;
- A Alemanha como trouble-maker terá de pagar reparações de guerra a serem fixadas pela Comissão de Reparações.
O Tratado de Versalhes previa também a criação da Sociedade das Nações e assegurava a segurança da França e do direito á auto determinação dos povos. Enfim Wilson e Clemenceau tinham ambos ganho.
Deste modo se marcou a entrada numa nova ordem internacional (NOI), assinalada por vários factores: a identificação dos trouble-makers e sua punição, o papel dos factores enconómicos não na eclusão dos conflitos mas na conversão destes em concorrência pacífica, a criação de uma sociedade das nações para reger o futuro das relações internacionais e a consagração do direito á auto-determinação dos povos.
Os ”catorze pontos” do president Wilson
1. Convenções de paz, preparadas “às claras”, após as quais não haverá mais acordos particulares e secretos; [...] a democracia agirá sempre francamente e á vista de todos.
2. Liberdade absoluta de navegação nso mares, fora das águas territoriais, tanto em tempo de paz como em tempo de guerra [...]
3. Supressão de todas barreiras ecónomicas e estabelecimento de condições comerciais iguais para todas as nações [...]
4. Troca de garantias suficientes de que os armamentos serão reduzidos ao minímo compatível com a segurança interna.
5. Uma concertação livremente debatida de todas as reinvindicações coloniais, baseada na estrita observação do princípio segundo o qual, na regulação destas questões de soberania, os interesses das populações em jogo terão o mesmo peso que as reinvindicações equitativas do governo.
6. Evacuação integral do território russo e regulação de todas as questões envolvendo a Rússia [...] com a finalidade de dar à Rússia toda a latitude para decidir, em plena independência, sobre o seu desenvolvimento político e a sua organização nacional [...]
7. É imprescindível que a Bélgica seja evacuada e restaurada [...]
8. Todo o território francês deve ser libertado e as regiões invadidas devem ser restauradas; o prejuízo causado à França pela Prússia em 1871, no que respeita à Alsácia-Lorena [...] deverá ser reparado [...]
9. Deve concretizar-se uma rectificação das fronteira italianas, comformente aos dados claramente perceptíveis do princípio das nacionalidades.
10. Aos povos da Áustria-Hungria [...] deve ser garantida, o mais cedo possível, a possibilidade de um desenvolvimento autónomo.
11. A Roménia, a Sérvia eo Montenegro devem ser evacuados; a Sérvia deve ser assegurado um livre acesso ao mar [...]
12. Às regiôes turcas do actual império otomano devem ser garantidas a sobernia e a segurnança; mas às outras nações actualmente sob domínio turco deve ser garantida uma segurança absoluta de existência [...] Os Dardanelos devempermanecer abertos como passagem livre para os navios e comércio de todas as nações.
13. Deve formar-se um Estado polaco, abrangendo os territórios habitados pelas populações indicutivelmente polacas, às quais se deve garantir um livre acessso ao mar [...]
14. É necessário que uma organização geral das nações seja constituída [...] tendo como obejctivo assegurar as garantias mútuas de independência política e integridade territorial tanto aos pequenos como aos estados.

Mensagem ao Congresso, Janeiro de 1918
Extractos do Tratado de Versalhes (28 de Junho de 1919)
[...]
Art. 45 – Em compensação de destruição das minas de carvão no Norte da França... (a Alemanha) cede à Frnça a propriedade inteira e absoluta das minas de carvão situadas na bacia do Sarre...
Art. 49 – A Alemanha renuncia a favora das sociedades das Nações... ao governo do território (do Sarre). Ao fim dum prazo de 15 anos, a contar da entrada em vigor do presente Tratado, a população do dito território será chamada a fazer conhecer a soberania sob que desejaria ver-se colocada...
Art. 51 – Os territórios cedidos à Alemanhaem virtude dos prelimares de Paz assinados em Versalhes a 26 de Fevereiro de 1871 e do Tratado de Frankfurt de 10 de Março de 1871 (Álsacia e Lorena) são reintegrados na soberania francesa a datar do armistício de 11 de Novembro de 1918...
Art. 80 – A Alemanha reconhce e respeitará estritamente a independência da Áustria...
Art. 81 – A Alemanha reconhece... a completa independência do Estado checoslovaco...
Art. 87 – A Alemanha reconhce... a completamente independência da Polónia...
Art. 102 – A cidade de Dantzig, com o seu território... é constituída cidade livre e colocada sobre a prteção da Sociedade das Nações...
Art. 119 – A Alemanha renuncia, a favor das principais potências aliadas e associadas (Estados Unidos, Império Britânico, França, Itália, e Japão), a todos os seus direitos e títulos sobre as suas possessões de além-mar...
Art. 160 – O exército alemão não deverá compreender mais de sete divisões de infantairia e três divisões da cavalaria... Art. 168 – O fabrico de armas, munições e material de guerra... não poderá ser efectuado senão em fábricas... sob a aprovação das principais potências aliadas e associadas...
Art. 171 – São igualmente proibidos o fabrico e a importação pela Alemanha de carros blindados, tanques ou outros engenhos militares...
Art. 181 – As forças de frota alemã não deverão ir além de seis couraçados do Deutschland, seis cruzados ligeiros, 12 destroyers, 12 torpedeiros. Não deverão compreender nenhum barco submarino...
Art. 198 – As forças militares da Alemanha não deverão compreender nenhuma aviação militar nem naval...
Art. 231 – Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por tê-los causado, por todas as perdas e danos, sofridos pelos Governos aliados e associados e seus naturais, em consequência da guerra...
Art. 233 – O montante dos ditos prejuízos... será fixado por (a Comissão de Reparações)...

O. Villiard e outros, “Documentos de História – 1815-1971”, em G de Freitas, 900 Textos e Documentos de História, vol. III, Plátano Editora

As causas da II Guerra Mundial

Introdução
Tal como a I Guerra Mundial, também a II foi engendrada pelo capitalismo e resultou do agravamento brusco das condições imperialistas. -se em desvantagem, os países do bloco fascista - Alemanha, Japão e Itália – apresentaram um programa de partilha do mundo por uso da força. A este bloco opunham-se os aliados, saídos vencedores da I Guerra Mundial, Inglaterra, França e EUA, que aspiravam não só conservar, como alargar as suas possessões e esferas Julgando de influência.
A II Guerra Mundial foi desencadeada pelos agressores fascistas e, uma vez mais, pelos militares alemães. Contudo, isto apenas foi possível graças à ajuda concedida à Alemanha nazi e os seus aliados, por outros países, nomeadamente, Inglaterra, a França e os EUA, que não foram capazes de conter os desejos expansionistas das forças do Eixo. No começo, a II Guerra Mundial foi uma guerra imperialista de um e de outro lado.
Mas o seu carácter irá modificar-se pouco a pouco. À medida que os nazis ocupam novos países, onde suprimem as liberdades democráticas e instauram regimes de terror, os povos destes países empenhavam-se cada vez com maior resolução na luta e na guerra da parte dos adversários da Alemanha, tornava-se uma guerra de libertação antifascista.
Este processo completou-se após a agressão da Alemanha à União Soviética. A partir de Junho de 1914, da parte dos Estados da coligação anti-hitleriana, a II Guerra Mundial tornou-se inteira e definitivamente uma guerra justa, de libertação: os povos destes Estados estavam firmemente decididos a pôr fim à peste do nazismo.

Conferência de Munique
Em Março de 1938 Hitler anexou a Áustria á Alemanha (o Anschluss). Quase de imediato, os Alemães dos Sudetas que viviam nas áreas fronteiriças ocidentais da Checoslováquia, um dos novos Estados constituídos no fim da I Guerra Mundial, foram encorajados a exigir uma solução para os seus problemas. Adivinhava-se uma enorme crise internacional. Se a Alemanha ataca-se a Checoslováquia, a França não teria outra solução senão ajudá-la, e a União Soviética seria então obrigada, pelos termos do Tratado de Versalhes, a solidarizar-se com a Checoslováquia. E se a França se envolve-se numa guerra com a Alemanha, a Inglaterra entraria quase certamente na guerra.
Em Setembro de 1938, Hitler ameaça fazer uma declaração de guerra se as suas reivindicações não forem atendidas. Perante este cenário, o primeiro-ministro britânico tomou o avião para se encontrar com Hitler e prometer-lhe tentar a transferência pacífica dos Sudetas. Os Franceses foram persuadidos a juntar-se à pressão exercida sobre o governo Checo para concordar com esta solução. O chanceler alemão, numa tentativa de isolar a Checoslováquia, exigiu a transferência acelerada do território. Chamberlain foi, então, pressionado pelo seu conselho de ministros a obrigar Hitler, sob ameaça de guerra, a considerara hipótese de um ligeiro atraso na cedência do território Checo habitado por Alemães.
Esta reunião, conhecida como Conferência de Munique, tornou a guerra mais provável, configurando uma derrota anglo-francesa. Se a Inglaterra e a França se tivessem oposto a Hitler, tê-lo-iam obrigado a aceitar a derrota. Os militares alemães, estavam prontos, segundo informações dadas aos Ingleses, para derrubarem Hitler se as suas exigência em relação à Checoslováquia encontrassem forte resistência por parte dos aliados ocidentais. Em vez disso, a Conferência de Munique reforçou o prestígio de Hitler e a Alemanha ganhava forças para levar a cabo novas ameaças e acções agressivas.
Esta conferência é também conhecida na Checoslováquia como “Sentença de Munique”.
Foi neste contexto que Estaline abandonou as tentativas de organizar uma oposição a Hitler, e o tenha persuadido, em vez disso, a levar a União Soviética para o pacto germano-soviético em 1939.


Cronologia das agressões e das cedências expansionistas:
1931-Invasão da Manchúria pelo Japão “para proteger a Ásia do comunismo”
1933-Hitler derruba a república Alemã “para proteger a Alemanha contra o comunismo”
1934-A 18 de Junho, a Inglaterra assina com a Alemanha um acordo naval que permite e esta última reconstituir a sua frota de guerra .
1935-A 7 de Janeiro, Pierre Laval assina com Mussolini os acordos de Roma.
1936-Em Março, Hitler remilitariza a Renânia.
A Alemanha e o Japão assinam o pacto “anti-comintern”.
As tropas alemãs e italianas entram na guerra civil de Espanha “para salva-la do comunismo”.
Em Julho de 1936, os governos inglês e francês proclamam a “não intervenção”,que permite à intervenção fascista o seu triunfo em Espanha.
1937-A Itália adere ao pacto anti-comintern.
O eixo Berlim- Roma- Tóquio “protege o mundo contra o comunismo”.
O Japão apodera-se do Peiping, Tien-Tsin, Xangai.
1938-A 12 de Março, Hitler apodera-se da Áustria.
A 28 de Setembro, em Munique, Chamberlain, Daladier e Mussolini entregam a Hitler uma parte da Checoslováquia : a região dos sudetas.
1939-15 de Março: as forças de Hitler entram em Praga e ocupam toda a Checoslováquia.
7 de Abril: as forças de Mussolini invadem a Albânia.
O Imperialismo Japonês: O Plano Tanaka
O plano Tanaka, autêntico “Mein Kampf “ do imperialismo japonês, foi escrito em 1927 e foi revelado pela primeira vez em 1929 por um agente japonês que o vendeu ao marechal manchu Tchong Hsuliong.
O comité chinês do Instituto de relações pacificas publicou este documento nos EUA, dando- o a conhecer ao mundo inteiro. Eis um extracto significativo: “Para conquistar o mundo, é-nos preciso conquistar primeiro a China, todas as outras nações asiáticas dos mares do sul passarão a temer-nos e capitularão. O mundo compreenderá então que a Ásia oriental nos pertence...com todos os seus recursos á nossa disposição, passaremos depois á conquista da Índia, do arquipélago malaio, da Ásia menor, da Ásia central e mesmo da Europa. Mas primeiro passo deve ser o de nos apoderamos do controle da Manchúria e da Mongólia... cedo ou tarde, teremos de combater a Rússia Soviética...
Se quisermos um dia obter o controle da China , devemos primeiro abater os Estados Unidos”.
Aproveitando-se da grande crise do mundo capitalista, o Japão realizou a primeira fase do plano Tanaka: na noite de 18 de dezembro de 1931, um corpo expedicionário Japonês invadia a Manchúria.
O Japão declarou que ocupava a Manchúria “para salvar a China do Bolchevismo”.


Expansionismo Japonês

A China era uma presa tentadora para o imperialismo nipónico dos anos 30. Débil, dividida entre as facções comunista e nacionalista, não podia, reduzida às forças do Marechal Chiang Kai-shek, resistir a um ataque repentino. Deste modo foi progredindo, nos círculos conservadores e por instigação dos militares, a ideia de colocar o Governo japonês e a opinião internacional perante um facto consumado. A 19 de Setembro de 1931, com o pretexto de que os chineses haviam sabotado a via-férrea japonesa do sul da Manchúria, as tropas do Japão, sem que o Governo de Tóquio tivesse conhecimento do facto, invadiram a Manchúria e ocuparam Mukden. As guarnições chinesas cederam e, dois dias mais tarde, todo o sul da Manchúria caía em poder das tropas nipónicas.
Em fins de Janeiro de 1932, a ocupação da Manchúria estava consumada. Perante esta flagrante violação dos pactos de não-agressão, a China apelou para a Sociedade das Nações. Depois de alguns confusos debates, esta ordenou ao Japão que procedesse à retirada das suas tropas. Mas, embora o Japão continuasse a sua penetração da Manchúria, a SDN não decretou sanções contra o agressor, limitando-se a condená-lo moralmente.
Os Estados Unidos, mais directamente ameaçados nos seus interesses, projectaram a aplicação de represálias económicas. Mas tendo, entretanto, de lutar com dificuldades internas, acabaram também por contentar-se com uma simples condenação moral. Os japoneses puderam, pois, sem quaisquer consequências, apoderar-se de um enorme território, rico em minério de ferro e em recursos agrícolas, instalando neste território um imperador. O novo Império de Manchukus, subordinado aos interesses japoneses, ia permitir que os militares de Tóquio alargassem os seus planos de conquista e se apoderassem rapidamente do governo. O clã militar, depois de ter banido a política liberal, em 1932, orientou a política japonesa à maneira imperialista. Em 27 de Março de 1933 o Japão retirou-se da SDN, enquanto organizava um exército moderno, mecanizado graças ao aço da Manchúria e que não tardaria a dar provas da sua eficácia na China. Em 1933, Jehol, a região montanhosa situada nos confins ocidentais da Manchúria, foi invadida; e nesse mesmo ano as tropas nipónicas, depois de atravessarem a Grande Muralha da China, estenderam-se pela região de Hopeh, ameaçando Pequim. Em 1934 foi a vez da província mongólica de Chahar. Resignar-se-iam as potências ocidentais a assistir, sem reacção, à forma como o Japão ia devorando a China, pouco a pouco? A Inglaterra e os Estados Unidos foram os primeiros a compreender que os seus interesses, tanto na China como em todo o Extremo Oriente, estavam ameaçados. Mas a tensão política europeia e, pouco depois, a revolução espanhola, distraíram a sua atenção deste teatro de operações. O Japão soube aproveitar-se da situação e obter vantagens da superioridade estratégica das suas forças. Frente às potências ocidentais divididas, o Japão, violentamente hostil à ideologia democrática, lançado numa política imperialista de que só esperava benefícios, estabelecia com Hitler as bases de uma aliança que viria converter-se no Eixo. Os japoneses desejosos de submeter quanto antes a China ao seu poder e perante a oposição de Chiang Kai-shek à sua proposta de um tratado cujas cláusulas teriam transformado a China numa simples colónia japonesa, resolveram precipitar os acontecimentos. A 7 de Julho de 1937, e como represália de um tiroteio verificado em Pequim contra os soldados japoneses, as tropas nipónicas apoderaram-se da cidade. Respondendo aos protestos internacionais, Tóquio diminuiu a importância do facto, dizendo que se tratava apenas de "um incidente chinês''. Este "incidente" duraria até 1945 e seria a origem de horríveis desastres. Mas o Governo japonês, dominado pelos militares, aproveitou a ocasião para iniciar operações de grande envergadura. A 26 de Julho de 1937, sem prévia declaração de guerra, os japoneses iniciaram as hostilidades e avançaram até ao sul. Os chineses foram forçados a retroceder perante os seus adversários, melhor equipados e apoiados por uma esmagadora superioridade aérea. Em Agosto, tropas japonesas desembarcadas em Xangai, ocupando a cidade. O Presidente Roosevelt reagiu, proibindo aos navios norte-americanos o transporte de material de guerra que pudesse ser utilizado pelos beligerantes. Algumas semanas mais tarde denunciou publicamente a agressão e pediu que fossem tomadas medidas para "pôr de quarentena" os agressores e proteger o Mundo daquela epidemia de imperialismo. Mas ainda era cedo para que a opinião pública norte-americana aceitasse comprometer-se mais na luta e, assim, o expansionismo japonês prosseguiu sem entraves. Em 6 de Outubro, a SDN condenou novamente o Japão; os militares japoneses sabiam agora que nada tinham a temer das tempestades verbais daquela "assembleia de fracos", completamente desacreditada, tanto aos seus olhos como aos de Hitler. A 14 de Dezembro de 1937, Nanquim caiu, depois de um intenso bombardeio seguido de mortes arbitrárias causando 40.000 mortos entre a população civil. Durante o ano de 1937, o norte da China foi ocupado. Os exércitos de Chiang Kai-shek, apesar das suas derrotas, continuavam a resistir, e os japoneses, impacientes por dar uma organização aos territórios conquistados, tentaram negociar com o marechal chinês um reconhecimento do seu domínio. Perante o fracasso das negociações e a resistência dos chineses que lhes haviam infligido um importante revés em Taiert Chuang, trataram, em Março de 1938, de implantar, tal como na Manchúria, um governo pro-japão, instituindo o Governo Central da República Chinesa, que só conseguiu impor a sua autoridade nas cidades. Nos campos, hostilizavam as tropas japonesas que avançavam muito lentamente. Apesar disso, Chiang Kai-shek teve de abandonar Han-Keu em Outubro de 1938 e refugiar-se no curso superior do Iang-tsé Kiang, onde instalou o seu quartel-general. Essa zona montanhosa, de difícil acesso, foi convertida pelas tropas chinesas num reduto invencível. As repetidas ofensivas japonesas não conseguiram expulsá-las dali; e os japoneses compreenderam que, para eliminar os exércitos chineses, era necessário cortar as suas vias de reabastecimento; numa palavra, bloquear a China por terra e por mar. Este projecto oferecia o perigo de alargar o conflito e, inclusive, de o generalizar. Convencidos da fraqueza dos ocidentais - que haviam assinado a capitulação em Munique -, os japoneses não retrocederam perante este "risco calculado". Três vias de acesso à China escapavam à sua fiscalização e permitiam conduzir provisões até ás tropas de Chiang Kai-shek: a ferrovia de Yunan, a partir do Tonquim francês, a ferrovia de Cantão, que estava nas mãos da Inglaterra, e, por fim, a estrada da Mongólia, sob controle soviético. Depois de efectuarem inutilmente pressões diplomáticas junto ao Governo francês, os japoneses voltaram-se contra a segunda via de acesso: Cantão-Han-Keu. Em Outubro de 1938, as tropas japonesas desembarcam em Cantão e apoderam-se da cidade; poucos dias mais tarde, toda a ferrovia estava nas suas mãos, Os governos francês e britânico, ainda sob a impressão de Munique, limitaram-se a protestar. Mas, através da Birmânia, os ingleses abriram uma nova estrada até à China, fazendo afrouxar o efeito das tenazes que oprimiam Chiang Kai-shek. Quanto aos russos, preocupados com o avanço japonês na China e desconfiando dos objectivos do seu antigo adversário da guerra de 1905, deram à China de Chiang Kai-shek - a que Mao Tsé-tung se aliara contra o inimigo comum - uma ajuda preciosa em armas e material, através da Mongólia. Apesar dos protestos japoneses, denunciaram a agressão de Tóquio e aumentaram o volume do seu auxílio aos chineses. A atitude dos Estados Unidos, em face da guerra sino-japonesa, era mais ambígua. O facto não derivava do governo, cuja posição se tornara evidente no famoso "discurso da quarentena" proferido por Roosevelt, mas sim da opinião pública que, na sua maioria, era hostil a uma intervenção a favor dos chineses, a qual poderia prejudicar o tradicional "isolamento" norte-americano. O discurso de Roosevelt, apesar da sua moderação, provocara reclamações dos defensores do isolamento dos EUA, que acusavam o presidente de preparar o caminho para a guerra, pelo que Roosevelt teve de rectificar algumas das suas declarações, embora sem modificá-las no seu sentido fundamental. A nova política naval japonesa e a importância da sua frota - que atingia, já em 1937, 800.000 toneladas - inquietavam os estrategistas e os políticos norte-americanos. O ataque à China em 1937 e o fulminante avanço dos japoneses nos primeiros meses confirmaram os seus receios. A opinião americana, favorável aos chineses, escandalizou-se com a brutalidade da conquista japonesa; e quando, a 12 de Dezembro de 1937, a Panay foi bombardeada por aviões japoneses no Iang-tsé Kiang, a maioria da imprensa aprovou a firme atitude do Governo norte-americano, que exigiu imediatamente de Tóquio a apresentação de desculpas e uma indemnização pelos prejuízos. O Japão, preocupado então com a neutralidade dos Estados Unidos, acedeu nessa altura à exigência e até prometeu punir os culpados. Entretanto, perante os progressos do avanço japonês, foi concedido um crédito de 25 milhões de dólares a Chiang Kai-shek e, em Dezembro de 1938, intensificou-se o "bloqueio moral" ao Japão.
O salto em frente
A guerra na Europa e as esmagadoras vitórias de Hitler iam modificar os planos japoneses e lançá-los numa política ainda mais ambiciosa do que a conquista da China. Tal como o Führer impunha à Europa a "nova ordem'' alemã, os militares nipónicos pretendiam submeter todo o Sudeste Asiático ao Império do Sol Nascente. Na opinião dos japoneses, as derrotas francesa, inglesa e holandesa deviam, igualmente, resultar em benefícios para eles no Extremo Oriente. As possessões holandesas, em particular, poderiam fornecer ao Japão as matérias-primas indispensáveis para a guerra, que, por causa do "bloqueio moral" aplicado pelos Estados Unidos, principiavam a escassear. Além do mais, tanto a ferrovia de Tonquim como a Estrada da Birmânia deviam ser cortadas, para "asfixiar" Chiang Kai-shek. Com este objectivo, os militares aconselhavam o emprego de uma política de violência: apoderarem-se da Indochina e da Birmânia. Mas a Marinha nipónica mostrava-se convencida deste plano, na aparência tão sedutor, receosa de uma intervenção norte-americana se os interesses britânicos e franceses fossem ameaçados. Em consequência disto, o Japão procedeu, até, Julho de 1941, com relativa prudência nos seus "saltos em frente". Em Junho de 1940, o Governo japonês pediu à França que fechasse a sua fronteira da Indochina, à Inglaterra que não permitisse a utilização da Estrada da Birmânia e à Holanda que fizesse importantes concessões económicas nas Índias Holandesas. Os britânicos, atravessando os dias sombrios da Batalha da Inglaterra, não estavam em condições de repelir categoricamente as exigências nipónicas. Os Estados Unidos, a quem Churchill propusera uma defesa comum de Singapura, negaram-se a adoptar qualquer atitude francamente "beligerante" pelo que a Inglaterra teve de ceder; e, em Julho de 1940, fechou por um prazo de três meses a Estrada da Birmânia, cuja construção terminara recentemente à custa de grandes sacrifícios. Não obstante, Roosevelt decidiu mostrar a sua desaprovação à política de Tóquio, proibindo a exportação para o Japão de certo número de mercadorias. Mas o petróleo ficou excluído destas tímidas "represálias económicas". Quanto ao governo de Vichy, cedo se viu submetido a ameaçadoras pressões por parte do governo do Príncipe Konoye, que se encontrava dominado pelo exército e pelos partidários do emprego da força. Apoiados e animados pelo seu aliado alemão, os japoneses pediram a Vichy que autorizasse o desembarque de contingentes militares no Tonquim. Em vista dos adiamentos das autoridades francesas na Indochina - embora a concordância francesa datasse de 29 de Agosto -, os japoneses, impacientes por porem em prática o seu plano e depois de um ultimato a Saigon em 15 de Setembro, desembarcaram tropas no Tonquim no dia 26. Vichy teve de resignar-se. Nas Índias Holandesas, o Governo da Holanda, apoiado pelos norte-americanos, tentava, mediante discussões e regateios, atrasar o momento de fazer as concessões exigidas por Tóquio. Durante o verão de 1940, e perante as ingerências japonesas no Sudeste Asiático, o Governo americano adoptou uma atitude mais rígida; e a 25 de Setembro proibiu a exportação de sucata de ferro e limitou os envios de petróleo ao Japão. Isto equivalia a atacar directamente a economia japonesa, a evidenciar, por fim, a hostilidade dos Estados Unidos à expansão nipónica. Dois dias depois, o Japão assinou o pacto Tripartite. O pacto anticomintern de 1936 atingia a sua conclusão lógica: uma aliança militar entre países totalitários. De maneira quase irredutível, o Mundo dividia-se em dois blocos, e os Estados Unidos, apesar do seu neutralismo, convertiam-se nos defensores da democracia ameaçada. Do mesmo modo que os militares, os políticos de Tóquio desejavam a expansão do Império japonês; mas, contra a opinião do exército, vacilavam perante a decisão de se oporem ao seu poderoso e incómodo "vizinho" do Pacífico, os Estados Unidos, indo até às últimas consequências uma política que conduzisse a uma guerra com essa imensa potência económica. Portanto, durante o inverno de 1940 e até Julho de 1941, o governo japonês procurou chegar a um acordo com os Estados Unidos, que assegurasse as conquistas nipónicas sem arrastar Washington para a beligerância. O Governo Konoye queria conseguir que os Estados Unidos suspendessem o boicote económico, em troca da promessa japonesa de limitar à China as suas pretensões territoriais. Numa palavra: o Governo japonês tratava de convencer os Estados Unidos de que o reconhecimento da "missão especial" do Japão na China não prejudicaria os interesses norte-americanos. As reservas dos Estados Unidos, como é de supor, não foram pequenas; e, no próprio Japão, o partido favorável à guerra - fortalecido com a assinatura em Moscou, a 13 de Abril de 1941, de um tratado de neutralidade com a U.R.S.S., o qual garantia a sua retaguarda contra qualquer ataque procedente do oeste - criticava violentamente a política de negociações com os americanos. A Armada japonesa, já bastante convicta da eficácia da sua força, unia-se ao exército na denúncia da "política derrotista'' do Príncipe Konoye. Depois do ataque de Hitler à Rússia, em Junho de 1941, o Governo japonês, resolvido a esperar o resultado do combate antes de se atirar para uma guerra contra os soviéticos, fortaleceu as suas posições no sudeste. Arriscando-se a uma intervenção britânica e norte-americana - e depois de um ultimato a Vichy em 12 de Julho de 1941 - o Japão desembarcou cerca de 50.000 soldados na Cochinchina. Toda a Indochina caía, assim, sob o "protectorado" japonês. A reacção norte-americana foi imediata. A 26 de Julho, os valores japoneses nos Estados Unidos ficaram congelados e proibiu-se a exportação de gasolina indispensável à aviação japonesa. Roosevelt informou pessoalmente ao embaixador japonês em Washington de que, se o Japão, para resolver a situação provocada pelo "bloqueio", tentasse apoderar-se pela força do petróleo das Índias Holandesas, os ingleses entrariam na guerra e os Estados Unidos, dado o seu pacto de assistência mútua com a Inglaterra, ''ver-se-iam colocados numa emergência extremamente grave''. Por seu lado, tanto a Inglaterra como a Holanda congelaram igualmente os bens japoneses. O Japão encontrava-se, agora, entre a espada e a parede: tinha de escolher entre uma retirada - hipótese excluída pelo partido decidido à guerra - ou um novo "salto em frente" com todas as suas consequências, isto é, a eventual entrada dos Estados Unidos na guerra. Konoye, que pessoalmente era contrário a esta segunda hipótese, tentou negociar, pela última vez, sobre a base de "uma colaboração de ambos os países na prosperidade de toda a Grande Ásia Oriental''. O Governo americano, que estava perfeitamente inteirado das pressões exercidas pelos militares sobre o Ministério japonês, supôs tratar-se de uma derradeira manobra. Tanto mais que as exigências japonesas continuavam inalteráveis: supressão da ajuda a Chiang Kai-shek e do embargo à exportação de sucata de ferro e petróleo, a troco de promessas bastante vagas, feitas por Tóquio, de evacuar a Indochina quando finalizasse a sua guerra contra a China. Mas, a 6 de Setembro, depois de uma entrevista imperial ultra-secreta realizada em Tóquio, deu-se conhecimento de que, "se em inícios de Outubro não houver esperanças de ver atendidas as nossas petições, pensaremos em preparar-nos para a guerra contra os Estados Unidos, a Inglaterra e a Holanda". Qualquer negociação realizada sobre estes fundamentos e com semelhantes intenções só podia conduzir a um fracasso. A 16 de Outubro, o Príncipe Konoye apresentou a sua demissão. O General Tojo, ferrenho partidário do emprego da força, foi nomeado primeiro-ministro. Abriam-se as portas à guerra. O Japão ataca
Em princípios de Novembro de 1941, o novo Gabinete japonês procurou negociar pela última vez com Washington. Tratava-se de submeter dois planos ao Governo norte-americano, ambos igualmente favoráveis à política japonesa. Se, por volta de 25 de Novembro, Washington os rechaçasse, o imperador resolveria sobre a atitude a ser tomada, o que para Tojo e os seus aliados, significava a guerra. O primeiro plano limitava-se, de fato, a pedir aos Estados Unidos que reconhecessem definitivamente a ocupação do norte da China pelo Japão e os interesses japoneses em todo o Sudeste Asiático. O segundo plano tinha por objectivo restabelecer o intercâmbio comercial americano-japonês, em troca da manutenção do status quo militar, deixando para mais tarde a resolução sobre a ocupação da China e da Indochina. A 10 de Novembro, Roosevelt recebeu o embaixador japonês Nomura e comunicou-lhe que as condições do primeiro plano eram inaceitáveis. Em 20 de Novembro, o Governo norte-americano examinou as condições do segundo plano e, a 26, declarou-as igualmente inaceitáveis. Assim, pois, de acordo com os projectos de Tojo, tornara-se inevitável a guerra. A 29 de Novembro fixou-se a data do ataque para 7 de Dezembro. E, para que a surpresa fosse total, resolveu-se em Tóquio que os enviados japoneses prosseguissem as negociações em Washington até ao último instante. O Governo norte-americano (que conhecia a chave da cifra dos códigos japoneses) sabia das intenções de Tóquio e esperava um ataque iminente, se bem que não calculasse com exactidão nem a importância nem o local. Supôs-se que atacariam a Malásia ou as Índias Orientais. Quando, em 7 de Dezembro, os enviados japoneses, havendo-se demorado a decifrar o telegrama de Tóquio, entregaram a Cordell Hull a mensagem em que notificavam o rompimento das negociações, o ataque de surpresa a Pearl Harbor principiara já meia hora antes. Os porta-aviões de Nagumo faziam fogo contra uma base adormecida; era um fogo que, durante quatro anos, devastaria o Pacífico.


O expansionismo Italiano

Após 10 anos do golpe que implantou o fascismo na Itália, Mussolini iniciou uma política externa agressiva, com o objectivo de ampliar os seus territórios coloniais, (resolvendo desta forma os seus problemas económicos) e reafirmar a posição do país na Europa. O Duce não era apenas o chefe de Estado, mas o comandante supremo das Forças Armadas, controlando directamente os Ministérios da Guerra, Marinha e Aeronáutica.
A política expansionista de Itália iniciou-se em Outubro de 1935 com a invasão da Etiópia, no norte de África, que caiu sob domínio italiano em Maio do ano seguinte. Ainda em 1936, a Itália enviou tropas para combater na Guerra Civil Espanhola, ao lado do general Francisco Franco, aproximando ao mesmo tempo da política de Hitler. Assim, a 24 de Outubro de 1936 foi formalizado o eixo Roma-Berlim, que definiu a linha do expansionismo dos dois países.Em Abril de 1939, Mussolini promoveu a invasão e anexação da Albânia.



O expansionismo Alemão

As acções políticas de Hitler conciliavam as suas necessidades internas e externas. Um dos mais graves problemas da Alemanha era o desemprego. Para resolver este problema, o Führer abriu frentes de trabalho, empregando cerca de 1 milhão de pessoas, em obras de emergência e actividades paramilitares. Em 1935 foi restaurado o serviço militar obrigatório, com o intuito de elevar o efectivo militar a 500 mil homens, apesar da proibição do Tratado de Versalhes. Em 1936 iniciou-se a remilitarização da Renânia, na fronteira com a França. Desta maneira saneava-se a situação social interna e ao mesmo tempo desenvolvia-se a política externa, ainda no sentido da preparação do expansionismo. A geração de empregos esteve directamente associada a militarização e a industrialização do país, destacando-se a indústria bélica. Preparava o avanço da Alemanha sobre os territórios considerados usurpados do país ao final da Primeira Guerra Mundial. Em Março de 1938 concretizou-se o Anchluss -- anexação da Áustria pela Alemanha -, utilizando-se o argumento racial, a unidade dos povos germânicos; aproveitando-se ainda da fraqueza do governo austríaco e de sua instabilidade económica, constantemente agravada desde o final da Primeira Guerra Mundial. “ Território onde viva uma família alemã, é território alemão! Para povos do mesmo sangue, um império comum! Um império para 1000 anos, no qual o sangue ariano é a substância da própria divindade!” Esta era a filosofia que Hitler preconizava e defendia acima de tudo. O mesmo argumento racial foi utilizado por Hitler para avançar em direcção à Checoslováquia, país formado após a Primeira Guerra Mundial, com o fim do Império Austro-húngaro. Nesse novo país, a região dos Sudetas era formada na sua maioria por alemães, que, influenciados por Hitler, passaram a exigir autonomia. A mobilização de tropas checas e francesas fez com que se procurasse um acordo diplomático. Realizou-se então a Conferência de Munique (Setembro de 1938), que acabou por determinar que os Sudetas deveriam ser entregues a Alemanha. A Checoslováquia, isolada, foi obrigada a entregar 20% de seu território.
As potências ocidentais colocavam em prática a "política de apaziguamento" acreditando que dessa maneira conseguiriam controlar a expansão do nazismo, através da definição de fronteiras europeias e da declaração anglo-alemã e franco-alemã de não agressão.



Conclusão
A 1 de Setembro de 1939, as tropas nazis invadiram a Polónia, tendo-se comprometido a prestar auxílio a esta nação, os governos inglês e francês declararam guerra á Alemanha, a 3 de Setembro.
Assim começou a II Guerra Mundial, a mais mortífera da Humanidade. Durou seis anos e quase todos os Estados do mundo nela tomaram parte. Morreram 50 milhões de pessoas e 35 milhões foram feridas e mutiladas. As despesas militares directas dos países beligerantes deviriam atingir a soma impressionante de 1117 biliões de dólares.



Trabalho
As causas da II Guerra Mundial
No período entre as duas guerras mundiais, a democracia liberal esteve em perigo e a paz constantemente ameaçada. Nas décadas de 1920 e 1930 assistiu-se a uma progressiva implantação de regimes autoritários e fascistas na Europa e uma degradação do ambiente internacional.
Em tempo de crise (económica e social), o recurso à ditadura e a um chefe político e ao partido único apreciam constituir a única solução. Assim, na Europa nas décadas de 20 e 30 assistiu-se a uma sucessiva implantação de regimes autoritários.
Uma característica comum a estas ditaduras era a exaltação do nacionalismo, que assentava na corrente de opinião de que o pretígio nacional e a autodefesa exigiam uma política internacional baseada na força e na guerra e no caso da Alemanha para concretizar estas finalidades era indispensável o rearmamento.
Desta forma, Hitler chega ao poder em 1933 e logo começa a preparar a Alemanha para a guerra. Hitler restabelece o serviço militar obrigatório, procedeu ao rearmamento do seu exército (1935) e ocupou a região da Renânia, junto à fronteira com a França. Contrariando desta forma as disposições do Tratado de Versalhes, onde a Alemanha havia sido despojada de todos os seus territórios ultramarinos, havia visto o seu exército e a sua marinha sido rigorosamente limitados, as margens do rio Reno serem ocupadas por tropas aliadas e viu-se obrigada a pagar elevadas compensações de guerra aos paises vencedores da I Guerra Mundial. Por todos estes motivos o Tratado de Versalhes era visto pelos alemães como uma humilhação e uma vergonha.pelo que de erta forma
Patilhando a mesma política imperialista, Hitler e Mussolini celebram em 1936 o Pacto de Amizade de que resulta o Eixo Roma-Berlim, que mais tarde (1940) daria lugar ao Eixo Roma-Berlim-Tóquio.
No seguimento da sua política imperialista, em Março de 1938, Hitler ordena a anexação da Áustria, invocando o direito à uniáo dos povos de lingua Alemã, em Setembro do mesmo ano ocupa os Sudetas,na Checoslováquia, após a França e a Inglaterra lhe terem reconhecido – na Conferência de Munique – o direito a anexar essa região, onde a maioria da população era de origem alemã; o Japão invade a Manchúria (1931); e a Itália ocupa a Etiópia (1935).
A SDN foi incapaz de evitar estes acontecimentos, pelo que entrou em decadência.
Perante todas estas movimentações a Grã-Bretanha e a França comprometem-se a ajudar a Polónia e a Roménia, no caso de serem invadidos pela Alemanha, e à Grécia caso seja invadida pela Itália.
Os EUA perante estas movimentações mantinham uma posição de indiferença. Já a URSS. Mostrou-se interessada em ajudar a Polónia, mas perante a oposição do presidente polaco, que temia a entrada de tropas soviéticas no seu território, as intenções da URSS ficaram sem efeito. Perante este cenário, Estaline inicia conversações secretas com a Alemanha e em Agosto celebram o Pacto Germano-Soviético, no qual os dois Estados se comprometem a não se confrontar em caso de guerra e, numa cláusula secreta, estabeleciam a rapartição da Polónia.
Neste contexto, Hitler decide invadir a Polónia a 1 de Setembro de 1939, e em menos de três semanas, o exército alemão derrota o exército polaco, ocupando Varsóvia. A Polónia fio então dividida enter a Alemanha e a URSS.a 3 de Setembro a frança e a Inglaterra declaram guerra à Alemanha. Inicia-se desta forma a II Guerra Mundial.
Mussolini alia-se a Hitler e juntos declaram guerra à França e à Inglaterra. Os seus exércitos atacam a França, não pela fronteira comum, mas pelo norte, passando pela Holanda e pela Bélgica. Desta forma a Alemanha consegue ocupar rapidamente a maior parte do território françês, e em 1940 chega a Paris. Perante a rápida ofensiva alemã, as tropas francesas e inglesas retiram-se para oeste, tendo sido cercadas em Dunquerque

Descolonização dos países africanos

Introdução

Foi no final da Idade Média que, os estados europeus “descobriram” África. Com objectivos comerciais os europeus tiveram os primeiros contactos com os povos africanos e na busca de áreas de influência comerciais os países europeus começaram a competir uns com os outros originando conflitos; Desses conflitos surgiu a possibilidade de colonização que se concretizou com a realização da Conferência de Berlim, em 1885.
O fenómeno de “colonização”começou a espalhar-se pelos continentes Asiático, Africano e Americanos e prevaleceu durante muitas décadas ate que com muita luta e persistência, por parte das colónias, finalmente deram um fim nesse regime que ia contra os direitos da humanidade.




Desenvolvimento

Descolonização> processo pelo qual uma ou mais colónias conquistam ou recuperaram a sua autonomia territorial;
Este processo pode ocorrer de várias formas:
Acordo entre a potência colonial e um partido político ou um movimento de libertação
Golpe de estado
Pressão interna ou externa feita à potência;
Decisão da própria potência por verificar prejuízos na manutenção da colónia.
Para alcançar a independência uma colónia pode optar por uma de duas vias: a via pacífica, onde são feitos acordos diplomáticos entre as partes; ou por via violenta através de conflitos entre colónias e colonizadores.

Descolonização Africana – as causas

A Europa, durante a primeira metade do século xx, logo após a Segunda Grande Guerra Mundial, se encontrava devastada territorialmente e psicologicamente.
As potências coloniais europeias não tinham mais condições de manterem o controlo militar e económico nas colónias, por isso começou-se a negociar a independência das primeiras colónias.
Também factores como a criação de movimentos independentistas, a realização da conferência de Bandung e o papel fundamental da O.N.U., estiveram na origem do processo de descolonização.



A Guerra Fria teve a sua influência também, pois com a corrida desenfreada dos E.U.A. e da U.R.S.S. para a conquista de áreas de influência e divulgação ideológica, forneciam apoios militares e monetários para o combate aos que insistiam em manter esse regime imperialista.
No entanto, esse apoio não manteve-se até ao final, pois com a dissolução da União Soviética e o acordo entre os dois pólos, África perdeu a sua posição estratégica que teve durante a Guerra Fria, originando assim, um processo mais tardio de descolonização de África em relação a Ásia e Médio Oriente; também contribuíram para a demora desse processo em África, o facto deste continente ser mais debilitado em termos políticos, económicos, sociais e culturais do que a Ásia e o Médio Oriente.
Não nos podemos esquecer dos papéis cruciais que tiveram as duas conferências para a origem e o fim da descolonização africana.


Conferência de Berlim (a origem colonial)

Nesta conferência, realizada entre 15 de Novembro de 1884 a 26 de Fevereiro de 1885, deu-se a partilha e divisão de África pelas potências sem serem levadas em conta a História, as relações étnicas ou familiares dos povos africanos.
Países como a Alemanha, Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos, Suécia, Áustria, e Império otomano, fizeram parte desta conferência; conferência que foi proposta por Portugal, que por sua vez, apresentou um projecto que previa a unificação de Angola e Moçambique para facilitar o comercia naquela área.
Este projecto, que é conhecido como “Mapa cor-de-rosa”, só não se concretizou devido á oposição de Inglaterra, ameaçando guerra a Portugal caso fosse adiante com o projecto.


Conferência de Bandung (o fim do imperialismo)

Foi entre 18 e 24 de Abril de 1955, em Indonésia, que se reuniram 29 líderes de estados asiáticos e 4 de estados africanos; esta conferência teve como objectivo a promoção da cooperação económico-cultural entre os países asiáticos e africanos em oposição ao colonialismo/neocolonialismo dos E.U.A., União suviética e outros imperialistas.
Também foi apresentado, nesta conferência, o princípio da política do não-alinhamento (terceiro mundismo), condenando o imperialismo e o racismo como sendo violações aos Direitos Humanos.
As colónias reclamavam pelo dever que as potências tinham de ajudar a reconstruir os estragos que causaram nas suas colónias.
Criou-se assim, com a conferência de bandung, um novo conflito entre países exportadores de produtos primários e os países ricos e industrializados.



Os dez Princípios da Conferência de Bandug

Rpeito aos direitos fundamentais, de acordo com a carta da O.N.U. ;
Respeito á soberania e integridade territorial de todas as nações;
Reconhecimento de igualdade de todas as nações, grandes e pequenas;
Não-intervenção e não-ingerência nos assuntos internos de outro país (autodeterminação dos povos);
Respeito pelo direito de cada nação defender-se individual e colectivamente, de acordo com a carta da O.N.U;
Recusa na participação dos preparativos da defesa colectiva destinada a servir aos interesses particulares das superpotências;
Abstenção de todo o acto de ameaça de agressão, ou do emprego da força, contra a integridade territorial ou a independência política de outro país;
Solução de todos os conflitos internacionais por meios pacíficos( negociações e conciliações, arbitragens por tribunais internacionais), de acordo com a carta da O.N.U;
Estímulo aos interesses mútuos de cooperação;
Respeito pela justiça e obrigações internacionais.



O papel da Organização das Nações Unidas

A O.N.U. foi um dos protagonistas nesta luta contra o regime imperialista, visto que, através da sua carta das nações criou uma série de princípios fundamentais no respeito pelos Direitos Humanos.
Esta carta utilizada na conferência de Bandug, acima referida, foi uma das formas de apoio que esta organização mundial deu às colónias; com a criação de um Comité Responsável por este processo, a Organização das Nações Unidas fez pressão aos países membros que mantinham colónias.
Este comité era especializado e preparado para trabalhar no terreno das colónias, organizando grupos diplomáticos que iam presenciar a situação nas colónias e apresentar cerca de três relatórios anuais á assembleia Geral.
A pressão sobre as potências coloniais aumentou quando em 1960, dezassete colónias tornaram-se membros da O.N.U; essas ex-colónias contavam com o apoio dos E.U.A e a U.R.S.S que exigiam, perante a comunidade internacional a libertação de todas as colónias.
Foi em Dezembro desse mesmo ano que a O.N.U, com a resolução-1514, apresentou uma declaração de independência imediata das colónias na Assembleia Geral;
Esta mesma organização veio apresentar mais duas declarações cinco anos mais tarde, através das resoluções-2105; e 1904 a 1973, no conselho de segurança e na assembleia-geral alegando ser crime contra a humanidade o regime colonial e apelando á eliminação de todas as formas de descriminação racial (devido aos problemas de discriminação e divisão racial vividos em África do sul).
Ainda na década de sessenta, a O.N.U já trabalhava no sentido de diminuir as diferenças económicas entre os países, favorecendo os países em vias de desenvolvimento e procurando assim acabar com a crise económica global que se verificava na época.


Organizações Africanas

OUA – Organização de Unidade Africana
A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis Abeba Etiópia, através da assinatura da sua Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes. Os objectivos da OUA, expressos na sua Constituição eram:
· Promover a unidade e solidariedade entre os estados africanos;
· Coordenar e intensificar a cooperação entre os estados africanos, no sentido de atingir uma vida melhor para os povos de África;
· Defender a soberania, integridade territorial e independência dos estados africanos;
· Erradicar todas as formas de colonialismo em África;
· Promover a cooperação internacional, respeitando a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos do Homem;
· Coordenar e harmonizar as políticas dos estados membros nas esferas políticas, diplomática, económica, educacional, cultural, da saúde, bem-estar, ciência, técnica e de defesa.


Durante quase quarenta anos de existência, a OUA não conseguiu evitar os inúmeros conflitos que assolaram o continente, nem promover de forma efectiva o seu desenvolvimento.



UA – União Africana
A União Africana (UA) foi fundada a 9 de Julho de 2002, baseada no modelo da União Europeia, mas actualmente com modelos mais próximos da Commonwealth, ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento em África.
O primeiro Presidente desta organização foi o líder sul-africano Thabo Mbeki. Entre os objectivos da organização está: um parlamento africano e um banco central de desenvolvimento. Tal como a sua predecessora a UA está sedeada em Addis Abbeba na Etiópia. Marrocos foi o único país daquele continente a focar de fora, porque o Saara Ocidental foi aceite como membro da UA. A primeira intervenção militar da UA nem Estado membro foi no Burundi em Maio de 2003.

Transição OUA – UA
A urgência de renascimento africano num Mundo cada vez mais competitivo e global impôs ao fim de 40 anos de existência a reforma da organização continental (OUA) numa estrutura munida de instrumentos de intervenção real. União Africana (UA), desenhada e concebida em moldes próximos da sua congénere europeia, deu os seus primeiros passos formais há quatro anos aproximadamente, na Cimeira Constitutiva de Durban, onde 52 países (Madagáscar não esteve presente por estar suspenso) formalizaram a substituição da OUA por uma nova estrutura com outro alcance.
Se a OUA, estabelecida em 25 de Maio de 1963 em Addis Abbeba, cumpriu o objectivo primordial da sua fundação; a luta pela auto-determinação de todo o continente e a unidade – ainda que, aqui e ali, fechando os olhos a ditaduras e atropelos aos direitos humanos – a última década, particularmente após o fim do apartheid (1994), reduziu-a à retórica.
O chamado comité de Revisão da Carta da OUA, estabelecida para estudar e propor as reformas estruturais e funcionais a moldar na União, teve como premissa o reconhecimento de que a “crescente realização da necessidade de mais eficiência e efectividade da organização requeria atenção urgente”. E ainda, “a necessidade de integrar as actividades políticas da OUA com as questões económicas, tal como são articuladas no Tratado de Abuja”, impondo maior celeridade ao processo, por este apontado, de estabelecimento da Comunidade Económica Africana.



Em termos gerais, os objectivos da UA são mais compreensivos que os da OUA e assentam numa estrutura concebida para responder às actuais necessidades do continente, incluindo, entre as suas prioridades, a aceleração da integração política e socioeconómica dos Estados-membros. Mas o principal desafio lançado será o rasgar do carácter abertamente “Estato-cêntrico”, assumido pela OUA, a uma maior participação civil e a cooperação das organizações não-governamentais, sindicatos, e organizações empresariais, única forma de viabilização do projecto de renascimento continental, a NEPAD

A independência das colónias

Em geral podemos separar o processo de descolonização africano em dois tipos. Aquelas regiões que não tinham nenhum produto estratégico (cobre, ouro, diamantes ou petróleo) conseguiram facilmente sua autonomia, obtendo-a por meio da negociação pacífica. E, ao contrário, as que tinham um daqueles produtos, considerados estratégicos pela metrópole, explorados por grandes corporações, a situação foi diferente (caso do petróleo na Argélia e do cobre no Congo belga). Neles os colonialistas resistiram aos movimentos autonomistas, ocorrendo movimentos de guerrilhas para expulsá-los.


Colónias Francesas
Ao estabelecer seu império na África, os franceses desenvolveram uma política de cooperação das elites nativas, para assim terem maior facilidade em impor seus métodos de governar.
Em 1954, teve inicio a revolução argelina. A reacção do governo francês a essa revolução foi bem violenta. Mesmo assim, a frente de libertação Nacional venceu em 1962. Foi criada então a República Democrática e Popular da Argélia, sob a presidência de Ahmed Bem Bella. Isso depois de ter perdido Marrocos e Tunísia em 1956, com a luta dos movimentos independentistas.
No centro-oeste africano, o Congo francês obteve a independência em 1960.

Colónias Belgas
A Bélgica, que iniciou suas política colonial no século XIX com a conquista do Congo, resistiu fortemente ao movimento congolês de emancipação.
Em 1960, o país conquistou a independência com o nome de Republica do Congo. Seu primeiro presidente foi Patrice Lumumba que foi assassinado em 1961 por militares.
Em Maio de 1997, tropas rebeldes liderados por Laurent-Désiré Kabila depuseram o ditador Mobutu, depois de oito meses de guerra civil. Em Janeiro de 1998, o descontentamento provocado pelas medidas reacendeu a guerra civil e obrigou o presidente Kabila a prometer eleições em 1999.


Colónias Inglesas
Nas regiões de colonização inglesa, o movimento descolonizador caracterizou–se, em geral, pela ruptura pacífica. Foram os casos, por exemplo, de Gana, Nigéria, Serra Leoa e Gâmbia. No Quénia, entretanto, a emancipação política foi precedida de conflitos violentos devido à desistência da população branca do país, que detinha 25% das terras quenianas mais férteis.

Colónias Italianas
As únicas colónias italianas em África foram a Líbia, que obteve a sua independência em 1951, e a Somália em 1960.

Colónias espanholas
Descolonização espanhola, se teve primeiramente no Saara Ocidental no ano de 1975 que antes era chamado de Rio de Oro.
Se chamava assim por que antes da corrida do ouro aqui no Brasil, descoberto pelos portugueses, o maior produtor de ouro do mundo era o Saara Ocidental ou Rio de Oro e não se produzia nada, porque o chão era todo de areia desértica e se tinha poucas chuvas nos anos e quando se tinha era bem pouco. Por isso quando o ouro acabou a Espanha deixou o Rio Oro.
A Independência do Equatorial: que se teve com o aceito espanhol com relação a ter autonomia diante a Espanha e a Guinea Equatorial nome da colónia Espanhola, se tornou em 12 de Outubro de 1968 independente.
E processo de resgate de território como por exemplos os vários protectorados, vilas e colónias da Espanha que Marrocos reclamou depois de sua independência de Protectorado Francês e que consiguira e que mantém até hoje.


Colónias portuguesas
As colónias portuguesas Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, e os arquipélagos de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, foram as que mais tardiamente conseguiram sua libertação.
Em 1961, a luta pela independência teve início em Guiné-Bissau, e foi comandada pelo fundador do partido da Independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC),Com o seu assassinato, Luís Cabral assumiu o comando do movimento, proclamando a independência; Em 1974, com a queda do regime fascista em Portugal, o novo governo reconheceu a independência de Guiné-Bissau. No ano seguinte, Portugal também reconheceu a independência de Cabo Verde .
Em Moçambique, afrente de libertação de Moçambique (FREMILO), fundada por Eduardo Mondlane, iniciou, em 1964, um movimento armado contra o colonialismo português, vários dos confrontos entre as duas forças terminaram com a derrota dos portugueses, e em 1975 o governo democrático de Portugal reconheceu a independência da república Popular de Moçambique .
Agostinho Neto fundou o movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), mas ouve também, outras organizações com o mesmo objectivo ; após a queda do salazarismo em Portugal, foi assinado em 1974, o Acordo de Alvor, que estabelecia a independência de Angola para o ano seguinte . O arquipélago de São Tomé e Príncipe, conseguiu se libertar do domínio Português em 1975 .



Períodos das independências dos países africanos
26 de Julho de 1847Independência da Libéria (dos Estados Unidos da América)
31 de Maio de 1910 – Independência da África do Sul, como União Sul-Africana, na forma de domínio do império britânico
28 de Fevereiro de 1922 – Independência do Egipto (do Reino Unido)
24 de Dezembro de 1951 – Independência da Líbia (da Itália)
1 de Janeiro de 1956 – Independência do Sudão (do Egipto e do Reino Unido)
2 de Março de 1956 – Independência de Marrocos (da França)
20 de Março de 1956 – Independência da Tunísia (da França)
6 de Março de 1957 – Independência do Gana (do Reino Unido)
2 de Outubro de 1958 – Independência da Guiné (da França)
1 de Janeiro de 1960 – Independência dos Camarões (da França)
27 de Abril de 1960 – Independência do Togo (da França)
20 de Junho de 1960 – Independência do Senegal (da França, mas autónomo, na forma de Federação do Mali, desde 1959)
26 de Junho de 1960 – Independência de Madagáscar (da França)
1 de Agosto de 1960 – Independência do Benin (da França, com o nome de Daomé, mas semi-autónoma, sob o nome de República do Daomé, desde 1958)
3 de Agosto de 1960 – Independência do Níger (da França, com o nome de República do Níger, mas semi-autónoma desde 1958)
5 de Agosto de 1960 – Independência do Burquina Faso (da França, com o nome de Alto Volta, mas semi-autónoma, sob o nome de República do Alto Volta, desde 1958)
7 de Agosto de 1960 – Independência da Costa do Marfim (da França, com o nome de Cote d’Ivoire, mas semi-autónoma, sob o nome de República da Côte d’Ivoire, desde 1958)
11 de Agosto de 1960 – Independência do Chade (da França)
15 de Agosto de 1960 – Independência do Congo (da França, com o nome de República do Congo, mas semi-autónoma desde 1958)
17 de Agosto de 1960 – Independência do Gabão (da França, com o nome de República do Gabão, mas semi-autónoma desde 1958)
22 de Setembro de 1960 – Independência do Mali (da França, mas autónomo, na forma de Federação do Mali, desde 1959)
1 de Outubro de 1960 – Independência da Nigéria (do Reino Unido)
28 de Novembro de 1960 – Independência da Mauritânia (da França)
27 de Abril de 1961 – Independência da Serra Leoa (do Reino Unido)
1 de Julho de 1961 – Independência da Somália (do Reino Unido e da Itália)
9 de Dezembro de 1961 – Independência do Tanganyika (do Reino Unido)
1 de Julho de 1962 – Independência do Burundi e do Ruanda (da Bélgica)
5 de Julho de 1962 – Independência da Argélia (da França, depois de uma guerra de libertação)
9 de Outubro de 1962 – Independência do Uganda (do Reino Unido)
19 de Dezembro de 1963 – Independência de Zanzibar (do Reino Unido)
6 de Julho de 1964 – Independência do Malawi (do Reino Unido)
24 de Outubro de 1964 – Independência da Zâmbia (do Reino Unido)
18 de Fevereiro de 1965 – Independência da Gâmbia (do Reino Unido)
11 de Novembro de 1965 - A Rodésia declara-se unilateralmente independente do Reino Unido, mas o Zimbabwe só vê a sua independência reconhecida internacionalmente a 17 de Abril de 1980, depois de uma guerra de libertação)
30 de Setembro de 1966 – Independência do Botswana (do Reino Unido)
4 de Outubro de 1966 – Independência do Lesotho (do Reino Unido)
12 de Março de 1968 – Independência da Maurícia (do Reino Unido)
6 de Setembro de 1968 – Independência da Suazilândia (do Reino Unido)
12 de Outubro de 1968 – Independência da Guiné Equatorial (da Espanha)
24 de Setembro de 1973 – Independência da Guiné-Bissau (de Portugal, depois de uma guerra de libertação, reconhecida internacionalmente, mas não pela potência colonial)
6 de Julho de 1975 – Independência das Comores (da França, mas já politicamente autónoma desde 1961; a ilha de Mayotte, no entanto, continua sob administração francesa, depois de vários referendos)
25 de Junho de 1975 – Independência de Moçambique (de Portugal, depois de uma guerra de libertação)
5 de Julho de 1975 – Independência de Cabo Verde (de Portugal)
12 de Julho de 1975 – Independência de S. Tomé e Príncipe (de Portugal)
11 de Novembro de 1975 – Independência de Angola (de Portugal, depois de uma guerra de libertação)
29 de Junho de 1976 – Independência das Seychelles (do Reino Unido)
27 de Junho de 1977 – Independência do Djibouti
21 de Março de 1990 – Independência da Namíbia (da África do Sul)
24 de Maio de 1993 – Independência da Eritreia (da Etiópia)


Conclusão


Em síntese, a conjuntura pós-guerra (podemos localizar entre 1945-1975) foi um período de decadência do colonialismo, de emergência do chamado Terceiro Mundo (Conferência de Bandung - 1955), com uma postura independente e anti colonial, de decadência europeia e de supremacia de um mundo bipolar com pouco espaço para o velho estilo colonialista, substituído por relações internacionais económicas, políticas e culturais.
África no meio disto tudo, era um continente pobre e cheio de marcas deixadas pela colonização, com uma população jovem e fragilizada pelas guerras coloniais.
E foi neste contexto, e tempo histórico, que o continente africano conheceu a sua independência passando por provações e dificuldades variadas, mas lutando sempre para a abolição da escravatura e do sistema imperialista.
Hoje podemos olhar para a África e ver um conjunto de países com realidades diferentes, mas com um passado histórico semelhante, apesar das diferenças sociais e económicas.