segunda-feira, 2 de junho de 2008

Situação da Europa no Pôs Primeira Guerra Mundial

Situação Económica:
- Económia euopeia fragilizada, altamente dependente do comércio externo com os EUA;
- Comércio europeu em dificuldades;
- Económia nacional dos intervenientes da guerra destruida;
- Difícil reconversão da industria bélica;
- Falencia de vários bancos devido ao não pagamento dos empréstimos contraidos pelos países.

Situação Política:
- Novo mapa político;
- Desmorunamento de quatro grandes impérios: império alemão, russo, austro-húngaro e turco;
- Desaparecimento de várias ditaduras e nascimento no seu lugar de democracias (repúblicas parlamentares).

Situação Social:
- Enorme desconforto social;
- Populações envolvidas em privações;
- Grande decepção devido á duração da guerra e aos imenso esforço de trabalho durante esta;
- Valores tradicionais abalados por tão imensa carnificina e por tão grande desordem material;
- Classes médias e ex-combatentes perderam a confiança nas virtudes do trabalho e da poupança.

Situação Demográfica:
- Grande mortalida derivada da guerra, cerca de 10 milhões de europeus mortos: 2040000 da Alemanha, 1800000 da Rússia, 1300000 da França, 1100000 da Áustria – Hungria, 750000 do Reino Unido e 670000 da Itália.

Situação Geográfrica:
- Formação de novos países (Jugoslávia, Checoslováquia, Polónia, Estónia, Lituánia, Finlândia, Letónia e Iraque).

Conferência de Paris em 1919

Na Conferência compareceram representantes dos 27 Estados vitoriosos, muitos dos quais da América Latina, que nem tinham tido intervenção directa no conflito. Na prática a Conferência foi obra, principalmente, do “Conselho do Dez” (formado por dois representantes da França, dos EUA, do Reino Unido, da Itália e do Japão) e depois no “Conselho dos Quatro”, no qual se reuniram Clemenceau, presidente do conselho francês, Wilson, presidente dos Estados Unidos, Lloyd George, primeiro ministro britânico, e Orlando, presidente do conselho italiano.
Contrariamente ao que se havia passado no Congresso de Viena em 1815, na Conferencia de Paris apenas os vencedores foram admitidos na discussão. Os países vencidos, e certos países como a Rússia e outros neutrais tais como a Espanha, a Suíça, etc..., foram excluídos do processo de instauração de paz.
O presidente Wilson havia definido sozinho, nos “14 pontos” que apresentara ao Congresso em Janeiro de 1918, as bases em que a paz deveria ser estabelecida.
O único problema durante a Conferência foi o visível desentendimento entre o sentimento de vingança de Clemenceau em castigar a Alemanha pelos seus actos e impedir qualquer novo ataque vindo desta e o idealismo de Wilson ao pretender estabelecer a paz universal. Para isso, segundo Wilson seriam necessários dois elementos: o direito á auto-determinação dos povos e a criação de uma “liga das nações” para ditar o direito internacional e cuja autoridade se imporia a todos os Estados.
Tratado de Versalhes
O Tratado de Versalhes (1919), tendo por base os “14 pontos” do presidente Wilson, foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias e pelos Estados Unidos que encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial. Após seis meses de negociações, em Paris, o tratado foi assinado como uma continuação do armistício de Novembro de 1918, em Compiègne, que tinha posto um fim aos confrontos.
Algumas das prerrogativas impostas a Alemanha foram:
- Reintegração da Álsacia e Lorena no território francês, a datar do armistício de 11 de Novembro de 1918;
- Em compensação de destruição das minas de carvão no Norte da França a Alemanha cede à França a propriedade inteira e absoluta das minas de carvão situadas na bacia do Sarre;
- A Alemanha teve de reconhecer e respeitar a independência dos novos Estados: Polónia, Checoslováquia e Áustria;
- O seu território ficou reduzido em 13,5% (cerca de 7 milhões de habitantes) e foram-lhe retiradas as propriedades ultramarinas;
- A área da Prússia Este passou a pertencer à Lituânia, enquanto que a região dos Sudetas passou para a Checoslováquia;
- O exército alemão foi reduzido para cerca de 100 000 soldados apenas para defesa nacional;
- Desmilitarização da margem esquerda do Reno e pela ocupação da margem direita do mesmo rio durante quinze anos com retiradas de um terço dos efectivos de cinco em cinco anos por forças vencedoras;
- Todos a frota alemã que não esteja em portos alemães deixar lhe a de pertencer;
- Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por tê-los causado, por todas as perdas e danos, sofridos pelos Governos aliados e associados e seus naturais, em consequência da guerra;
- A Alemanha como trouble-maker terá de pagar reparações de guerra a serem fixadas pela Comissão de Reparações.
O Tratado de Versalhes previa também a criação da Sociedade das Nações e assegurava a segurança da França e do direito á auto determinação dos povos. Enfim Wilson e Clemenceau tinham ambos ganho.
Deste modo se marcou a entrada numa nova ordem internacional (NOI), assinalada por vários factores: a identificação dos trouble-makers e sua punição, o papel dos factores enconómicos não na eclusão dos conflitos mas na conversão destes em concorrência pacífica, a criação de uma sociedade das nações para reger o futuro das relações internacionais e a consagração do direito á auto-determinação dos povos.
Os ”catorze pontos” do president Wilson
1. Convenções de paz, preparadas “às claras”, após as quais não haverá mais acordos particulares e secretos; [...] a democracia agirá sempre francamente e á vista de todos.
2. Liberdade absoluta de navegação nso mares, fora das águas territoriais, tanto em tempo de paz como em tempo de guerra [...]
3. Supressão de todas barreiras ecónomicas e estabelecimento de condições comerciais iguais para todas as nações [...]
4. Troca de garantias suficientes de que os armamentos serão reduzidos ao minímo compatível com a segurança interna.
5. Uma concertação livremente debatida de todas as reinvindicações coloniais, baseada na estrita observação do princípio segundo o qual, na regulação destas questões de soberania, os interesses das populações em jogo terão o mesmo peso que as reinvindicações equitativas do governo.
6. Evacuação integral do território russo e regulação de todas as questões envolvendo a Rússia [...] com a finalidade de dar à Rússia toda a latitude para decidir, em plena independência, sobre o seu desenvolvimento político e a sua organização nacional [...]
7. É imprescindível que a Bélgica seja evacuada e restaurada [...]
8. Todo o território francês deve ser libertado e as regiões invadidas devem ser restauradas; o prejuízo causado à França pela Prússia em 1871, no que respeita à Alsácia-Lorena [...] deverá ser reparado [...]
9. Deve concretizar-se uma rectificação das fronteira italianas, comformente aos dados claramente perceptíveis do princípio das nacionalidades.
10. Aos povos da Áustria-Hungria [...] deve ser garantida, o mais cedo possível, a possibilidade de um desenvolvimento autónomo.
11. A Roménia, a Sérvia eo Montenegro devem ser evacuados; a Sérvia deve ser assegurado um livre acesso ao mar [...]
12. Às regiôes turcas do actual império otomano devem ser garantidas a sobernia e a segurnança; mas às outras nações actualmente sob domínio turco deve ser garantida uma segurança absoluta de existência [...] Os Dardanelos devempermanecer abertos como passagem livre para os navios e comércio de todas as nações.
13. Deve formar-se um Estado polaco, abrangendo os territórios habitados pelas populações indicutivelmente polacas, às quais se deve garantir um livre acessso ao mar [...]
14. É necessário que uma organização geral das nações seja constituída [...] tendo como obejctivo assegurar as garantias mútuas de independência política e integridade territorial tanto aos pequenos como aos estados.

Mensagem ao Congresso, Janeiro de 1918
Extractos do Tratado de Versalhes (28 de Junho de 1919)
[...]
Art. 45 – Em compensação de destruição das minas de carvão no Norte da França... (a Alemanha) cede à Frnça a propriedade inteira e absoluta das minas de carvão situadas na bacia do Sarre...
Art. 49 – A Alemanha renuncia a favora das sociedades das Nações... ao governo do território (do Sarre). Ao fim dum prazo de 15 anos, a contar da entrada em vigor do presente Tratado, a população do dito território será chamada a fazer conhecer a soberania sob que desejaria ver-se colocada...
Art. 51 – Os territórios cedidos à Alemanhaem virtude dos prelimares de Paz assinados em Versalhes a 26 de Fevereiro de 1871 e do Tratado de Frankfurt de 10 de Março de 1871 (Álsacia e Lorena) são reintegrados na soberania francesa a datar do armistício de 11 de Novembro de 1918...
Art. 80 – A Alemanha reconhce e respeitará estritamente a independência da Áustria...
Art. 81 – A Alemanha reconhece... a completa independência do Estado checoslovaco...
Art. 87 – A Alemanha reconhce... a completamente independência da Polónia...
Art. 102 – A cidade de Dantzig, com o seu território... é constituída cidade livre e colocada sobre a prteção da Sociedade das Nações...
Art. 119 – A Alemanha renuncia, a favor das principais potências aliadas e associadas (Estados Unidos, Império Britânico, França, Itália, e Japão), a todos os seus direitos e títulos sobre as suas possessões de além-mar...
Art. 160 – O exército alemão não deverá compreender mais de sete divisões de infantairia e três divisões da cavalaria... Art. 168 – O fabrico de armas, munições e material de guerra... não poderá ser efectuado senão em fábricas... sob a aprovação das principais potências aliadas e associadas...
Art. 171 – São igualmente proibidos o fabrico e a importação pela Alemanha de carros blindados, tanques ou outros engenhos militares...
Art. 181 – As forças de frota alemã não deverão ir além de seis couraçados do Deutschland, seis cruzados ligeiros, 12 destroyers, 12 torpedeiros. Não deverão compreender nenhum barco submarino...
Art. 198 – As forças militares da Alemanha não deverão compreender nenhuma aviação militar nem naval...
Art. 231 – Os Governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus aliados são responsáveis, por tê-los causado, por todas as perdas e danos, sofridos pelos Governos aliados e associados e seus naturais, em consequência da guerra...
Art. 233 – O montante dos ditos prejuízos... será fixado por (a Comissão de Reparações)...

O. Villiard e outros, “Documentos de História – 1815-1971”, em G de Freitas, 900 Textos e Documentos de História, vol. III, Plátano Editora

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