segunda-feira, 2 de junho de 2008

As causas da II Guerra Mundial

Introdução
Tal como a I Guerra Mundial, também a II foi engendrada pelo capitalismo e resultou do agravamento brusco das condições imperialistas. -se em desvantagem, os países do bloco fascista - Alemanha, Japão e Itália – apresentaram um programa de partilha do mundo por uso da força. A este bloco opunham-se os aliados, saídos vencedores da I Guerra Mundial, Inglaterra, França e EUA, que aspiravam não só conservar, como alargar as suas possessões e esferas Julgando de influência.
A II Guerra Mundial foi desencadeada pelos agressores fascistas e, uma vez mais, pelos militares alemães. Contudo, isto apenas foi possível graças à ajuda concedida à Alemanha nazi e os seus aliados, por outros países, nomeadamente, Inglaterra, a França e os EUA, que não foram capazes de conter os desejos expansionistas das forças do Eixo. No começo, a II Guerra Mundial foi uma guerra imperialista de um e de outro lado.
Mas o seu carácter irá modificar-se pouco a pouco. À medida que os nazis ocupam novos países, onde suprimem as liberdades democráticas e instauram regimes de terror, os povos destes países empenhavam-se cada vez com maior resolução na luta e na guerra da parte dos adversários da Alemanha, tornava-se uma guerra de libertação antifascista.
Este processo completou-se após a agressão da Alemanha à União Soviética. A partir de Junho de 1914, da parte dos Estados da coligação anti-hitleriana, a II Guerra Mundial tornou-se inteira e definitivamente uma guerra justa, de libertação: os povos destes Estados estavam firmemente decididos a pôr fim à peste do nazismo.

Conferência de Munique
Em Março de 1938 Hitler anexou a Áustria á Alemanha (o Anschluss). Quase de imediato, os Alemães dos Sudetas que viviam nas áreas fronteiriças ocidentais da Checoslováquia, um dos novos Estados constituídos no fim da I Guerra Mundial, foram encorajados a exigir uma solução para os seus problemas. Adivinhava-se uma enorme crise internacional. Se a Alemanha ataca-se a Checoslováquia, a França não teria outra solução senão ajudá-la, e a União Soviética seria então obrigada, pelos termos do Tratado de Versalhes, a solidarizar-se com a Checoslováquia. E se a França se envolve-se numa guerra com a Alemanha, a Inglaterra entraria quase certamente na guerra.
Em Setembro de 1938, Hitler ameaça fazer uma declaração de guerra se as suas reivindicações não forem atendidas. Perante este cenário, o primeiro-ministro britânico tomou o avião para se encontrar com Hitler e prometer-lhe tentar a transferência pacífica dos Sudetas. Os Franceses foram persuadidos a juntar-se à pressão exercida sobre o governo Checo para concordar com esta solução. O chanceler alemão, numa tentativa de isolar a Checoslováquia, exigiu a transferência acelerada do território. Chamberlain foi, então, pressionado pelo seu conselho de ministros a obrigar Hitler, sob ameaça de guerra, a considerara hipótese de um ligeiro atraso na cedência do território Checo habitado por Alemães.
Esta reunião, conhecida como Conferência de Munique, tornou a guerra mais provável, configurando uma derrota anglo-francesa. Se a Inglaterra e a França se tivessem oposto a Hitler, tê-lo-iam obrigado a aceitar a derrota. Os militares alemães, estavam prontos, segundo informações dadas aos Ingleses, para derrubarem Hitler se as suas exigência em relação à Checoslováquia encontrassem forte resistência por parte dos aliados ocidentais. Em vez disso, a Conferência de Munique reforçou o prestígio de Hitler e a Alemanha ganhava forças para levar a cabo novas ameaças e acções agressivas.
Esta conferência é também conhecida na Checoslováquia como “Sentença de Munique”.
Foi neste contexto que Estaline abandonou as tentativas de organizar uma oposição a Hitler, e o tenha persuadido, em vez disso, a levar a União Soviética para o pacto germano-soviético em 1939.


Cronologia das agressões e das cedências expansionistas:
1931-Invasão da Manchúria pelo Japão “para proteger a Ásia do comunismo”
1933-Hitler derruba a república Alemã “para proteger a Alemanha contra o comunismo”
1934-A 18 de Junho, a Inglaterra assina com a Alemanha um acordo naval que permite e esta última reconstituir a sua frota de guerra .
1935-A 7 de Janeiro, Pierre Laval assina com Mussolini os acordos de Roma.
1936-Em Março, Hitler remilitariza a Renânia.
A Alemanha e o Japão assinam o pacto “anti-comintern”.
As tropas alemãs e italianas entram na guerra civil de Espanha “para salva-la do comunismo”.
Em Julho de 1936, os governos inglês e francês proclamam a “não intervenção”,que permite à intervenção fascista o seu triunfo em Espanha.
1937-A Itália adere ao pacto anti-comintern.
O eixo Berlim- Roma- Tóquio “protege o mundo contra o comunismo”.
O Japão apodera-se do Peiping, Tien-Tsin, Xangai.
1938-A 12 de Março, Hitler apodera-se da Áustria.
A 28 de Setembro, em Munique, Chamberlain, Daladier e Mussolini entregam a Hitler uma parte da Checoslováquia : a região dos sudetas.
1939-15 de Março: as forças de Hitler entram em Praga e ocupam toda a Checoslováquia.
7 de Abril: as forças de Mussolini invadem a Albânia.
O Imperialismo Japonês: O Plano Tanaka
O plano Tanaka, autêntico “Mein Kampf “ do imperialismo japonês, foi escrito em 1927 e foi revelado pela primeira vez em 1929 por um agente japonês que o vendeu ao marechal manchu Tchong Hsuliong.
O comité chinês do Instituto de relações pacificas publicou este documento nos EUA, dando- o a conhecer ao mundo inteiro. Eis um extracto significativo: “Para conquistar o mundo, é-nos preciso conquistar primeiro a China, todas as outras nações asiáticas dos mares do sul passarão a temer-nos e capitularão. O mundo compreenderá então que a Ásia oriental nos pertence...com todos os seus recursos á nossa disposição, passaremos depois á conquista da Índia, do arquipélago malaio, da Ásia menor, da Ásia central e mesmo da Europa. Mas primeiro passo deve ser o de nos apoderamos do controle da Manchúria e da Mongólia... cedo ou tarde, teremos de combater a Rússia Soviética...
Se quisermos um dia obter o controle da China , devemos primeiro abater os Estados Unidos”.
Aproveitando-se da grande crise do mundo capitalista, o Japão realizou a primeira fase do plano Tanaka: na noite de 18 de dezembro de 1931, um corpo expedicionário Japonês invadia a Manchúria.
O Japão declarou que ocupava a Manchúria “para salvar a China do Bolchevismo”.


Expansionismo Japonês

A China era uma presa tentadora para o imperialismo nipónico dos anos 30. Débil, dividida entre as facções comunista e nacionalista, não podia, reduzida às forças do Marechal Chiang Kai-shek, resistir a um ataque repentino. Deste modo foi progredindo, nos círculos conservadores e por instigação dos militares, a ideia de colocar o Governo japonês e a opinião internacional perante um facto consumado. A 19 de Setembro de 1931, com o pretexto de que os chineses haviam sabotado a via-férrea japonesa do sul da Manchúria, as tropas do Japão, sem que o Governo de Tóquio tivesse conhecimento do facto, invadiram a Manchúria e ocuparam Mukden. As guarnições chinesas cederam e, dois dias mais tarde, todo o sul da Manchúria caía em poder das tropas nipónicas.
Em fins de Janeiro de 1932, a ocupação da Manchúria estava consumada. Perante esta flagrante violação dos pactos de não-agressão, a China apelou para a Sociedade das Nações. Depois de alguns confusos debates, esta ordenou ao Japão que procedesse à retirada das suas tropas. Mas, embora o Japão continuasse a sua penetração da Manchúria, a SDN não decretou sanções contra o agressor, limitando-se a condená-lo moralmente.
Os Estados Unidos, mais directamente ameaçados nos seus interesses, projectaram a aplicação de represálias económicas. Mas tendo, entretanto, de lutar com dificuldades internas, acabaram também por contentar-se com uma simples condenação moral. Os japoneses puderam, pois, sem quaisquer consequências, apoderar-se de um enorme território, rico em minério de ferro e em recursos agrícolas, instalando neste território um imperador. O novo Império de Manchukus, subordinado aos interesses japoneses, ia permitir que os militares de Tóquio alargassem os seus planos de conquista e se apoderassem rapidamente do governo. O clã militar, depois de ter banido a política liberal, em 1932, orientou a política japonesa à maneira imperialista. Em 27 de Março de 1933 o Japão retirou-se da SDN, enquanto organizava um exército moderno, mecanizado graças ao aço da Manchúria e que não tardaria a dar provas da sua eficácia na China. Em 1933, Jehol, a região montanhosa situada nos confins ocidentais da Manchúria, foi invadida; e nesse mesmo ano as tropas nipónicas, depois de atravessarem a Grande Muralha da China, estenderam-se pela região de Hopeh, ameaçando Pequim. Em 1934 foi a vez da província mongólica de Chahar. Resignar-se-iam as potências ocidentais a assistir, sem reacção, à forma como o Japão ia devorando a China, pouco a pouco? A Inglaterra e os Estados Unidos foram os primeiros a compreender que os seus interesses, tanto na China como em todo o Extremo Oriente, estavam ameaçados. Mas a tensão política europeia e, pouco depois, a revolução espanhola, distraíram a sua atenção deste teatro de operações. O Japão soube aproveitar-se da situação e obter vantagens da superioridade estratégica das suas forças. Frente às potências ocidentais divididas, o Japão, violentamente hostil à ideologia democrática, lançado numa política imperialista de que só esperava benefícios, estabelecia com Hitler as bases de uma aliança que viria converter-se no Eixo. Os japoneses desejosos de submeter quanto antes a China ao seu poder e perante a oposição de Chiang Kai-shek à sua proposta de um tratado cujas cláusulas teriam transformado a China numa simples colónia japonesa, resolveram precipitar os acontecimentos. A 7 de Julho de 1937, e como represália de um tiroteio verificado em Pequim contra os soldados japoneses, as tropas nipónicas apoderaram-se da cidade. Respondendo aos protestos internacionais, Tóquio diminuiu a importância do facto, dizendo que se tratava apenas de "um incidente chinês''. Este "incidente" duraria até 1945 e seria a origem de horríveis desastres. Mas o Governo japonês, dominado pelos militares, aproveitou a ocasião para iniciar operações de grande envergadura. A 26 de Julho de 1937, sem prévia declaração de guerra, os japoneses iniciaram as hostilidades e avançaram até ao sul. Os chineses foram forçados a retroceder perante os seus adversários, melhor equipados e apoiados por uma esmagadora superioridade aérea. Em Agosto, tropas japonesas desembarcadas em Xangai, ocupando a cidade. O Presidente Roosevelt reagiu, proibindo aos navios norte-americanos o transporte de material de guerra que pudesse ser utilizado pelos beligerantes. Algumas semanas mais tarde denunciou publicamente a agressão e pediu que fossem tomadas medidas para "pôr de quarentena" os agressores e proteger o Mundo daquela epidemia de imperialismo. Mas ainda era cedo para que a opinião pública norte-americana aceitasse comprometer-se mais na luta e, assim, o expansionismo japonês prosseguiu sem entraves. Em 6 de Outubro, a SDN condenou novamente o Japão; os militares japoneses sabiam agora que nada tinham a temer das tempestades verbais daquela "assembleia de fracos", completamente desacreditada, tanto aos seus olhos como aos de Hitler. A 14 de Dezembro de 1937, Nanquim caiu, depois de um intenso bombardeio seguido de mortes arbitrárias causando 40.000 mortos entre a população civil. Durante o ano de 1937, o norte da China foi ocupado. Os exércitos de Chiang Kai-shek, apesar das suas derrotas, continuavam a resistir, e os japoneses, impacientes por dar uma organização aos territórios conquistados, tentaram negociar com o marechal chinês um reconhecimento do seu domínio. Perante o fracasso das negociações e a resistência dos chineses que lhes haviam infligido um importante revés em Taiert Chuang, trataram, em Março de 1938, de implantar, tal como na Manchúria, um governo pro-japão, instituindo o Governo Central da República Chinesa, que só conseguiu impor a sua autoridade nas cidades. Nos campos, hostilizavam as tropas japonesas que avançavam muito lentamente. Apesar disso, Chiang Kai-shek teve de abandonar Han-Keu em Outubro de 1938 e refugiar-se no curso superior do Iang-tsé Kiang, onde instalou o seu quartel-general. Essa zona montanhosa, de difícil acesso, foi convertida pelas tropas chinesas num reduto invencível. As repetidas ofensivas japonesas não conseguiram expulsá-las dali; e os japoneses compreenderam que, para eliminar os exércitos chineses, era necessário cortar as suas vias de reabastecimento; numa palavra, bloquear a China por terra e por mar. Este projecto oferecia o perigo de alargar o conflito e, inclusive, de o generalizar. Convencidos da fraqueza dos ocidentais - que haviam assinado a capitulação em Munique -, os japoneses não retrocederam perante este "risco calculado". Três vias de acesso à China escapavam à sua fiscalização e permitiam conduzir provisões até ás tropas de Chiang Kai-shek: a ferrovia de Yunan, a partir do Tonquim francês, a ferrovia de Cantão, que estava nas mãos da Inglaterra, e, por fim, a estrada da Mongólia, sob controle soviético. Depois de efectuarem inutilmente pressões diplomáticas junto ao Governo francês, os japoneses voltaram-se contra a segunda via de acesso: Cantão-Han-Keu. Em Outubro de 1938, as tropas japonesas desembarcam em Cantão e apoderam-se da cidade; poucos dias mais tarde, toda a ferrovia estava nas suas mãos, Os governos francês e britânico, ainda sob a impressão de Munique, limitaram-se a protestar. Mas, através da Birmânia, os ingleses abriram uma nova estrada até à China, fazendo afrouxar o efeito das tenazes que oprimiam Chiang Kai-shek. Quanto aos russos, preocupados com o avanço japonês na China e desconfiando dos objectivos do seu antigo adversário da guerra de 1905, deram à China de Chiang Kai-shek - a que Mao Tsé-tung se aliara contra o inimigo comum - uma ajuda preciosa em armas e material, através da Mongólia. Apesar dos protestos japoneses, denunciaram a agressão de Tóquio e aumentaram o volume do seu auxílio aos chineses. A atitude dos Estados Unidos, em face da guerra sino-japonesa, era mais ambígua. O facto não derivava do governo, cuja posição se tornara evidente no famoso "discurso da quarentena" proferido por Roosevelt, mas sim da opinião pública que, na sua maioria, era hostil a uma intervenção a favor dos chineses, a qual poderia prejudicar o tradicional "isolamento" norte-americano. O discurso de Roosevelt, apesar da sua moderação, provocara reclamações dos defensores do isolamento dos EUA, que acusavam o presidente de preparar o caminho para a guerra, pelo que Roosevelt teve de rectificar algumas das suas declarações, embora sem modificá-las no seu sentido fundamental. A nova política naval japonesa e a importância da sua frota - que atingia, já em 1937, 800.000 toneladas - inquietavam os estrategistas e os políticos norte-americanos. O ataque à China em 1937 e o fulminante avanço dos japoneses nos primeiros meses confirmaram os seus receios. A opinião americana, favorável aos chineses, escandalizou-se com a brutalidade da conquista japonesa; e quando, a 12 de Dezembro de 1937, a Panay foi bombardeada por aviões japoneses no Iang-tsé Kiang, a maioria da imprensa aprovou a firme atitude do Governo norte-americano, que exigiu imediatamente de Tóquio a apresentação de desculpas e uma indemnização pelos prejuízos. O Japão, preocupado então com a neutralidade dos Estados Unidos, acedeu nessa altura à exigência e até prometeu punir os culpados. Entretanto, perante os progressos do avanço japonês, foi concedido um crédito de 25 milhões de dólares a Chiang Kai-shek e, em Dezembro de 1938, intensificou-se o "bloqueio moral" ao Japão.
O salto em frente
A guerra na Europa e as esmagadoras vitórias de Hitler iam modificar os planos japoneses e lançá-los numa política ainda mais ambiciosa do que a conquista da China. Tal como o Führer impunha à Europa a "nova ordem'' alemã, os militares nipónicos pretendiam submeter todo o Sudeste Asiático ao Império do Sol Nascente. Na opinião dos japoneses, as derrotas francesa, inglesa e holandesa deviam, igualmente, resultar em benefícios para eles no Extremo Oriente. As possessões holandesas, em particular, poderiam fornecer ao Japão as matérias-primas indispensáveis para a guerra, que, por causa do "bloqueio moral" aplicado pelos Estados Unidos, principiavam a escassear. Além do mais, tanto a ferrovia de Tonquim como a Estrada da Birmânia deviam ser cortadas, para "asfixiar" Chiang Kai-shek. Com este objectivo, os militares aconselhavam o emprego de uma política de violência: apoderarem-se da Indochina e da Birmânia. Mas a Marinha nipónica mostrava-se convencida deste plano, na aparência tão sedutor, receosa de uma intervenção norte-americana se os interesses britânicos e franceses fossem ameaçados. Em consequência disto, o Japão procedeu, até, Julho de 1941, com relativa prudência nos seus "saltos em frente". Em Junho de 1940, o Governo japonês pediu à França que fechasse a sua fronteira da Indochina, à Inglaterra que não permitisse a utilização da Estrada da Birmânia e à Holanda que fizesse importantes concessões económicas nas Índias Holandesas. Os britânicos, atravessando os dias sombrios da Batalha da Inglaterra, não estavam em condições de repelir categoricamente as exigências nipónicas. Os Estados Unidos, a quem Churchill propusera uma defesa comum de Singapura, negaram-se a adoptar qualquer atitude francamente "beligerante" pelo que a Inglaterra teve de ceder; e, em Julho de 1940, fechou por um prazo de três meses a Estrada da Birmânia, cuja construção terminara recentemente à custa de grandes sacrifícios. Não obstante, Roosevelt decidiu mostrar a sua desaprovação à política de Tóquio, proibindo a exportação para o Japão de certo número de mercadorias. Mas o petróleo ficou excluído destas tímidas "represálias económicas". Quanto ao governo de Vichy, cedo se viu submetido a ameaçadoras pressões por parte do governo do Príncipe Konoye, que se encontrava dominado pelo exército e pelos partidários do emprego da força. Apoiados e animados pelo seu aliado alemão, os japoneses pediram a Vichy que autorizasse o desembarque de contingentes militares no Tonquim. Em vista dos adiamentos das autoridades francesas na Indochina - embora a concordância francesa datasse de 29 de Agosto -, os japoneses, impacientes por porem em prática o seu plano e depois de um ultimato a Saigon em 15 de Setembro, desembarcaram tropas no Tonquim no dia 26. Vichy teve de resignar-se. Nas Índias Holandesas, o Governo da Holanda, apoiado pelos norte-americanos, tentava, mediante discussões e regateios, atrasar o momento de fazer as concessões exigidas por Tóquio. Durante o verão de 1940, e perante as ingerências japonesas no Sudeste Asiático, o Governo americano adoptou uma atitude mais rígida; e a 25 de Setembro proibiu a exportação de sucata de ferro e limitou os envios de petróleo ao Japão. Isto equivalia a atacar directamente a economia japonesa, a evidenciar, por fim, a hostilidade dos Estados Unidos à expansão nipónica. Dois dias depois, o Japão assinou o pacto Tripartite. O pacto anticomintern de 1936 atingia a sua conclusão lógica: uma aliança militar entre países totalitários. De maneira quase irredutível, o Mundo dividia-se em dois blocos, e os Estados Unidos, apesar do seu neutralismo, convertiam-se nos defensores da democracia ameaçada. Do mesmo modo que os militares, os políticos de Tóquio desejavam a expansão do Império japonês; mas, contra a opinião do exército, vacilavam perante a decisão de se oporem ao seu poderoso e incómodo "vizinho" do Pacífico, os Estados Unidos, indo até às últimas consequências uma política que conduzisse a uma guerra com essa imensa potência económica. Portanto, durante o inverno de 1940 e até Julho de 1941, o governo japonês procurou chegar a um acordo com os Estados Unidos, que assegurasse as conquistas nipónicas sem arrastar Washington para a beligerância. O Governo Konoye queria conseguir que os Estados Unidos suspendessem o boicote económico, em troca da promessa japonesa de limitar à China as suas pretensões territoriais. Numa palavra: o Governo japonês tratava de convencer os Estados Unidos de que o reconhecimento da "missão especial" do Japão na China não prejudicaria os interesses norte-americanos. As reservas dos Estados Unidos, como é de supor, não foram pequenas; e, no próprio Japão, o partido favorável à guerra - fortalecido com a assinatura em Moscou, a 13 de Abril de 1941, de um tratado de neutralidade com a U.R.S.S., o qual garantia a sua retaguarda contra qualquer ataque procedente do oeste - criticava violentamente a política de negociações com os americanos. A Armada japonesa, já bastante convicta da eficácia da sua força, unia-se ao exército na denúncia da "política derrotista'' do Príncipe Konoye. Depois do ataque de Hitler à Rússia, em Junho de 1941, o Governo japonês, resolvido a esperar o resultado do combate antes de se atirar para uma guerra contra os soviéticos, fortaleceu as suas posições no sudeste. Arriscando-se a uma intervenção britânica e norte-americana - e depois de um ultimato a Vichy em 12 de Julho de 1941 - o Japão desembarcou cerca de 50.000 soldados na Cochinchina. Toda a Indochina caía, assim, sob o "protectorado" japonês. A reacção norte-americana foi imediata. A 26 de Julho, os valores japoneses nos Estados Unidos ficaram congelados e proibiu-se a exportação de gasolina indispensável à aviação japonesa. Roosevelt informou pessoalmente ao embaixador japonês em Washington de que, se o Japão, para resolver a situação provocada pelo "bloqueio", tentasse apoderar-se pela força do petróleo das Índias Holandesas, os ingleses entrariam na guerra e os Estados Unidos, dado o seu pacto de assistência mútua com a Inglaterra, ''ver-se-iam colocados numa emergência extremamente grave''. Por seu lado, tanto a Inglaterra como a Holanda congelaram igualmente os bens japoneses. O Japão encontrava-se, agora, entre a espada e a parede: tinha de escolher entre uma retirada - hipótese excluída pelo partido decidido à guerra - ou um novo "salto em frente" com todas as suas consequências, isto é, a eventual entrada dos Estados Unidos na guerra. Konoye, que pessoalmente era contrário a esta segunda hipótese, tentou negociar, pela última vez, sobre a base de "uma colaboração de ambos os países na prosperidade de toda a Grande Ásia Oriental''. O Governo americano, que estava perfeitamente inteirado das pressões exercidas pelos militares sobre o Ministério japonês, supôs tratar-se de uma derradeira manobra. Tanto mais que as exigências japonesas continuavam inalteráveis: supressão da ajuda a Chiang Kai-shek e do embargo à exportação de sucata de ferro e petróleo, a troco de promessas bastante vagas, feitas por Tóquio, de evacuar a Indochina quando finalizasse a sua guerra contra a China. Mas, a 6 de Setembro, depois de uma entrevista imperial ultra-secreta realizada em Tóquio, deu-se conhecimento de que, "se em inícios de Outubro não houver esperanças de ver atendidas as nossas petições, pensaremos em preparar-nos para a guerra contra os Estados Unidos, a Inglaterra e a Holanda". Qualquer negociação realizada sobre estes fundamentos e com semelhantes intenções só podia conduzir a um fracasso. A 16 de Outubro, o Príncipe Konoye apresentou a sua demissão. O General Tojo, ferrenho partidário do emprego da força, foi nomeado primeiro-ministro. Abriam-se as portas à guerra. O Japão ataca
Em princípios de Novembro de 1941, o novo Gabinete japonês procurou negociar pela última vez com Washington. Tratava-se de submeter dois planos ao Governo norte-americano, ambos igualmente favoráveis à política japonesa. Se, por volta de 25 de Novembro, Washington os rechaçasse, o imperador resolveria sobre a atitude a ser tomada, o que para Tojo e os seus aliados, significava a guerra. O primeiro plano limitava-se, de fato, a pedir aos Estados Unidos que reconhecessem definitivamente a ocupação do norte da China pelo Japão e os interesses japoneses em todo o Sudeste Asiático. O segundo plano tinha por objectivo restabelecer o intercâmbio comercial americano-japonês, em troca da manutenção do status quo militar, deixando para mais tarde a resolução sobre a ocupação da China e da Indochina. A 10 de Novembro, Roosevelt recebeu o embaixador japonês Nomura e comunicou-lhe que as condições do primeiro plano eram inaceitáveis. Em 20 de Novembro, o Governo norte-americano examinou as condições do segundo plano e, a 26, declarou-as igualmente inaceitáveis. Assim, pois, de acordo com os projectos de Tojo, tornara-se inevitável a guerra. A 29 de Novembro fixou-se a data do ataque para 7 de Dezembro. E, para que a surpresa fosse total, resolveu-se em Tóquio que os enviados japoneses prosseguissem as negociações em Washington até ao último instante. O Governo norte-americano (que conhecia a chave da cifra dos códigos japoneses) sabia das intenções de Tóquio e esperava um ataque iminente, se bem que não calculasse com exactidão nem a importância nem o local. Supôs-se que atacariam a Malásia ou as Índias Orientais. Quando, em 7 de Dezembro, os enviados japoneses, havendo-se demorado a decifrar o telegrama de Tóquio, entregaram a Cordell Hull a mensagem em que notificavam o rompimento das negociações, o ataque de surpresa a Pearl Harbor principiara já meia hora antes. Os porta-aviões de Nagumo faziam fogo contra uma base adormecida; era um fogo que, durante quatro anos, devastaria o Pacífico.


O expansionismo Italiano

Após 10 anos do golpe que implantou o fascismo na Itália, Mussolini iniciou uma política externa agressiva, com o objectivo de ampliar os seus territórios coloniais, (resolvendo desta forma os seus problemas económicos) e reafirmar a posição do país na Europa. O Duce não era apenas o chefe de Estado, mas o comandante supremo das Forças Armadas, controlando directamente os Ministérios da Guerra, Marinha e Aeronáutica.
A política expansionista de Itália iniciou-se em Outubro de 1935 com a invasão da Etiópia, no norte de África, que caiu sob domínio italiano em Maio do ano seguinte. Ainda em 1936, a Itália enviou tropas para combater na Guerra Civil Espanhola, ao lado do general Francisco Franco, aproximando ao mesmo tempo da política de Hitler. Assim, a 24 de Outubro de 1936 foi formalizado o eixo Roma-Berlim, que definiu a linha do expansionismo dos dois países.Em Abril de 1939, Mussolini promoveu a invasão e anexação da Albânia.



O expansionismo Alemão

As acções políticas de Hitler conciliavam as suas necessidades internas e externas. Um dos mais graves problemas da Alemanha era o desemprego. Para resolver este problema, o Führer abriu frentes de trabalho, empregando cerca de 1 milhão de pessoas, em obras de emergência e actividades paramilitares. Em 1935 foi restaurado o serviço militar obrigatório, com o intuito de elevar o efectivo militar a 500 mil homens, apesar da proibição do Tratado de Versalhes. Em 1936 iniciou-se a remilitarização da Renânia, na fronteira com a França. Desta maneira saneava-se a situação social interna e ao mesmo tempo desenvolvia-se a política externa, ainda no sentido da preparação do expansionismo. A geração de empregos esteve directamente associada a militarização e a industrialização do país, destacando-se a indústria bélica. Preparava o avanço da Alemanha sobre os territórios considerados usurpados do país ao final da Primeira Guerra Mundial. Em Março de 1938 concretizou-se o Anchluss -- anexação da Áustria pela Alemanha -, utilizando-se o argumento racial, a unidade dos povos germânicos; aproveitando-se ainda da fraqueza do governo austríaco e de sua instabilidade económica, constantemente agravada desde o final da Primeira Guerra Mundial. “ Território onde viva uma família alemã, é território alemão! Para povos do mesmo sangue, um império comum! Um império para 1000 anos, no qual o sangue ariano é a substância da própria divindade!” Esta era a filosofia que Hitler preconizava e defendia acima de tudo. O mesmo argumento racial foi utilizado por Hitler para avançar em direcção à Checoslováquia, país formado após a Primeira Guerra Mundial, com o fim do Império Austro-húngaro. Nesse novo país, a região dos Sudetas era formada na sua maioria por alemães, que, influenciados por Hitler, passaram a exigir autonomia. A mobilização de tropas checas e francesas fez com que se procurasse um acordo diplomático. Realizou-se então a Conferência de Munique (Setembro de 1938), que acabou por determinar que os Sudetas deveriam ser entregues a Alemanha. A Checoslováquia, isolada, foi obrigada a entregar 20% de seu território.
As potências ocidentais colocavam em prática a "política de apaziguamento" acreditando que dessa maneira conseguiriam controlar a expansão do nazismo, através da definição de fronteiras europeias e da declaração anglo-alemã e franco-alemã de não agressão.



Conclusão
A 1 de Setembro de 1939, as tropas nazis invadiram a Polónia, tendo-se comprometido a prestar auxílio a esta nação, os governos inglês e francês declararam guerra á Alemanha, a 3 de Setembro.
Assim começou a II Guerra Mundial, a mais mortífera da Humanidade. Durou seis anos e quase todos os Estados do mundo nela tomaram parte. Morreram 50 milhões de pessoas e 35 milhões foram feridas e mutiladas. As despesas militares directas dos países beligerantes deviriam atingir a soma impressionante de 1117 biliões de dólares.



Trabalho
As causas da II Guerra Mundial
No período entre as duas guerras mundiais, a democracia liberal esteve em perigo e a paz constantemente ameaçada. Nas décadas de 1920 e 1930 assistiu-se a uma progressiva implantação de regimes autoritários e fascistas na Europa e uma degradação do ambiente internacional.
Em tempo de crise (económica e social), o recurso à ditadura e a um chefe político e ao partido único apreciam constituir a única solução. Assim, na Europa nas décadas de 20 e 30 assistiu-se a uma sucessiva implantação de regimes autoritários.
Uma característica comum a estas ditaduras era a exaltação do nacionalismo, que assentava na corrente de opinião de que o pretígio nacional e a autodefesa exigiam uma política internacional baseada na força e na guerra e no caso da Alemanha para concretizar estas finalidades era indispensável o rearmamento.
Desta forma, Hitler chega ao poder em 1933 e logo começa a preparar a Alemanha para a guerra. Hitler restabelece o serviço militar obrigatório, procedeu ao rearmamento do seu exército (1935) e ocupou a região da Renânia, junto à fronteira com a França. Contrariando desta forma as disposições do Tratado de Versalhes, onde a Alemanha havia sido despojada de todos os seus territórios ultramarinos, havia visto o seu exército e a sua marinha sido rigorosamente limitados, as margens do rio Reno serem ocupadas por tropas aliadas e viu-se obrigada a pagar elevadas compensações de guerra aos paises vencedores da I Guerra Mundial. Por todos estes motivos o Tratado de Versalhes era visto pelos alemães como uma humilhação e uma vergonha.pelo que de erta forma
Patilhando a mesma política imperialista, Hitler e Mussolini celebram em 1936 o Pacto de Amizade de que resulta o Eixo Roma-Berlim, que mais tarde (1940) daria lugar ao Eixo Roma-Berlim-Tóquio.
No seguimento da sua política imperialista, em Março de 1938, Hitler ordena a anexação da Áustria, invocando o direito à uniáo dos povos de lingua Alemã, em Setembro do mesmo ano ocupa os Sudetas,na Checoslováquia, após a França e a Inglaterra lhe terem reconhecido – na Conferência de Munique – o direito a anexar essa região, onde a maioria da população era de origem alemã; o Japão invade a Manchúria (1931); e a Itália ocupa a Etiópia (1935).
A SDN foi incapaz de evitar estes acontecimentos, pelo que entrou em decadência.
Perante todas estas movimentações a Grã-Bretanha e a França comprometem-se a ajudar a Polónia e a Roménia, no caso de serem invadidos pela Alemanha, e à Grécia caso seja invadida pela Itália.
Os EUA perante estas movimentações mantinham uma posição de indiferença. Já a URSS. Mostrou-se interessada em ajudar a Polónia, mas perante a oposição do presidente polaco, que temia a entrada de tropas soviéticas no seu território, as intenções da URSS ficaram sem efeito. Perante este cenário, Estaline inicia conversações secretas com a Alemanha e em Agosto celebram o Pacto Germano-Soviético, no qual os dois Estados se comprometem a não se confrontar em caso de guerra e, numa cláusula secreta, estabeleciam a rapartição da Polónia.
Neste contexto, Hitler decide invadir a Polónia a 1 de Setembro de 1939, e em menos de três semanas, o exército alemão derrota o exército polaco, ocupando Varsóvia. A Polónia fio então dividida enter a Alemanha e a URSS.a 3 de Setembro a frança e a Inglaterra declaram guerra à Alemanha. Inicia-se desta forma a II Guerra Mundial.
Mussolini alia-se a Hitler e juntos declaram guerra à França e à Inglaterra. Os seus exércitos atacam a França, não pela fronteira comum, mas pelo norte, passando pela Holanda e pela Bélgica. Desta forma a Alemanha consegue ocupar rapidamente a maior parte do território françês, e em 1940 chega a Paris. Perante a rápida ofensiva alemã, as tropas francesas e inglesas retiram-se para oeste, tendo sido cercadas em Dunquerque

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