Causas da Primeira Guerra Mundial
Introdução (finais do século XIX)
Antes da 1ª guerra mundial, a ordem internacional que vigorava tinha grande domínio europeu, facto que era facilmente visível nas inúmeras colónias que os países europeus possuíam. Assim sendo, a Europa dominava diferentes pontos estratégicos a nível económico, comercial, militar, entre outros. Podemos então dizer que o continente europeu era o grande dominador do mundo e que através dos seus principais estados como a França e a Grã-Bretanha influenciava tudo e todos na comunidade internacional.
Frequentemente se caracteriza o século XIX e o início do século XX como tendo um sistema internacional heterogéneo, bi-multilateral europeu. O sistema era assim considerado visto que existia mais de um estado com influência a nível da tomada de decisões importantes: a Grã-Bretanha, a França e a Rússia que constituíam a tríplice entente (que ficou concluída com o acordo anglo-russo de 1907) e a Alemanha, a Itália e o império Austro-Húngaro que constituíam a tríplice aliança (constituída em 1882).
Contexto sócio-histórico para melhor perceber as causas da guerra:
- Fases de desenvolvimento económico muito rápidas enquanto que as instituições politicas, algumas ainda impregnadas pelo modo de produção feudal, não se adaptam tão rapidamente;
- Fases de formação das nações. As classes sociais favorecidas contornam o descontentamento das camadas populares incutindo nelas o sentimento nacionalista. Neste processo aparecem correntes militares pré-fascistas, como na Alemanha, Itália, França, Áustria, entre outros;
- Expansão imperialista das nações capitalistas que com base nas suas conquistas coloniais de territórios, agiram num campo de força militar, comercial e financeiro permanente para ganhar mercados e matérias-primas;
" As primeiras explicações para as causas da 1ª Guerra Mundial apareceram na Cláusula de Culpa de Guerra na década de 20. Esta basicamente apenas responsabilizava a Alemanha e o Império Austro-Húngaro pela guerra. Mas, na verdade, com iremos ver em diante as causas da guerra foram muito complexas, envolvendo uma série de questões em torno de políticas nacionais, culturas, economia e uma teia de complexas alianças e contrabalanças que desenvolveram entre as diversas potências europeias ao longo do séc. XIX após a derrota final de Napoleão Bonaparte em 1815 e o Congresso de Viena.
Causas da 1ª Guerra Mundial
Imperialismo
O imperialismo económico era marcado pelas lutas na conquista de mercados, de fontes de matérias-primas e de campos de inversão de capitais, ocasionou múltiplos atritos entre as nações, especialmente depois da Alemanha e da Itália, que conquistaram a unidade nacional, entrarem na competição. A expansão colonial, económica e naval alemã provocou uma rivalidade com a Inglaterra que temia pela sua supremacia marítima.
As metrópoles queriam aumentar as suas possessões afro-asiáticas, fontes de matérias-primas e importantes mercados de escoamento dos produtos, consideradas essenciais no desenvolvimento económico das indústrias europeias.
Estes confrontos de interesses estavam muito patentes na Alemanha que como pais recentemente constituído nação tinha um número inferior de colónias face às outras potências. No entanto, o desenvolvimento da sua potência industrial, financeira, comercial e militar tornava-se cada vez mais contraditório aos interesses da França, da Grã-Bretanha e da Rússia (Balcãs).
A vontade de consolidação interior despoletava de inúmeros locais, ao mesmo tempo que se transformava num desejo de expansão. Os industriais franceses, abastados, lideravam uma campanha de ódio contra os alemães que, por seu lado, também enriqueciam, ambos queriam vender mais canhões… As companhias de navegação de Hamburgo com seus formidáveis dividendos trabalham contra os de Southampton, os camponeses húngaros contra os da Sérvia, os grandes trusts uns contra os outros; a conjuntura tornou-os sedentos de riqueza e a sua concorrência selvagem.
Estes antagonismos imperialistas, segundo os dirigentes socialistas, foram o principal motivo que despoletou a guerra.
Nacionalismo
Algumas das origens do conflito despoletaram de ideologias específicas que influenciaram a conduta de populações e políticos durante os anos que levariam à guerra, provocando choques de aspirações e ambições. Os líderes civis das nações europeias enfrentavam na época uma onda de fervor nacionalista que se espalhava pela Europa há anos como memória de guerras enfraquecidas e rivalidades entre povos, apoiados por uma media sensacionalista e nacionalista. O nacionalismo ou patriotismo podem, em parte, ser encarados como uma expressão ideológica popular do sistema de estados soberanos, o sistema de Vestefália (desenvolvido na Europa desde o séc. XVII).
Um importante contributo foi o legado das Revoluções Francesas Napoleónicas em 1789, que fez surgir ideais nacionalistas, devoção e amor pelas ideias de uma massa colectiva. No quadro destes nacionalismos encontramos o revanchismo francês, que se desenvolveu após a humilhação que a França sofreu em 1871, aquando da proclamação do II Reich Alemão no Palácio de Versalhes. As crianças francesas foram incentivadas a exaltar o seu patriotismo e aceitar o sacrifício pelo seu país. Este revanchismo foi então uma manifestação nacionalista que se desenvolveu ao mesmo tempo que as estruturas políticas do país se foram tornando mais liberais, possibilitando maior participação, estimulando o senso crítico e a noção de cidadania, situação contrária à que era vivida pela Alemanha, onde o nacionalismo seguiu a orientação de um estado centralizado e forte.
Outros casos de confrontos nacionalistas foram vividos entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia, onde a opinião pública pedia pela guerra para defender a chamada honra nacional.
A maioria dos beligerantes pressentia uma rápida vitória e consequências gloriosas. O entusiasmo patriótico e a euforia presentes no chamado Espírito de 1914 revelavam um grande optimismo para o período do pós-guerra.
Darwinismo social
No final do séc. XIX, emergindo do nacionalismo, surgiu uma nova forma de pensamento – o darwinismo social, que vincava uma competição entre os diferentes grupos étnicos. Este pensamento foi inspirado nas teorias de Charles Darwin e Herbert Spencer e foi muito influente entre as elites políticas europeias. A nova ideologia punha a tónica na violenta luta pela existência entre “raças” e “nações”, na qual as mais fracas se viam destruídas pelas mais fortes. Muitos dos líderes Germânicos e Austro-Húngaros temiam uma inevitável batalha entre os “Eslavos” e a “Civilização Germânica”. O Darwinismo social exerceu igualmente influências na competição entre os Estados pelas colónias. A expansão colonial era vista como sendo de fundamental importância no assegurar da uma vantagem económica e militar face aos rivais.
Assim sendo, o darwinismo social injectou uma urgência, desespero e forte ansiedade sobre a derrota nas Relações Internacionais. A competição pelas colónias e a corrida ao poderio militar naval do princípio do século XX foram, em parte, derivados deste desespero.
Corrida Armamentista
Todos os antagonismos anteriormente referidos estiveram claramente patentes na desenfreada corrida ao armamento protagonizada pelas potências europeias. Mesmo nos Oceanos as conflitualidades foram bem reais. A Grã-Bretanha vivia no mito da indomável ilha protegida por uma marinha invencível. Contudo, o rápido desenvolvimento da frota e do comércio alemão preocupava-os. Assim, quando o presidente americano Wilson perguntou a Londres a sua finalidade de guerra, o desarmamento da marinha de guerra alemã constituiu um objectivo primordial. A corrida naval entre a Inglaterra e a Alemanha foi intensificada em 1906. Uma evidente corrida armamentista na construção de navios desdobrava-se entre as duas nações. O historiador Paul Kennedy argumenta que ambas as nações acreditavam nas teorias de que o controlo do mar era vital a uma nação.
Os outros países europeus viam a Alemanha acelerar o ritmo de aquisição de armamento, o que impunha assim elevadas despesas a todas as outras potências que se sentiam na necessidade de igualar ou até superar a sua força militar à alemã. Tal como o historiador David Stevenson descreve a corrida armamentista foi como um “auto reforço de um ciclo de elevada prontidão militar”. A patrocinar esta corrida ao armamento estavam os fabricantes de munições e outros “mercadores de guerras”. Estes faziam pressão junto dos dirigentes com vista à participação do país na guerra.
Face a esta corrida armamentista, os países sentiram necessidade de criar alianças para estarem ao nível do poderio militar necessário.
Este período entre 1885 e 1914 foi conhecido com a Paz Armada.
Sistema de alianças
Um vasto sistema de alianças foi criado no fim do séc. XIX e inicio do séc. XX. A Tríplice é a mais antiga destas alianças, ela é obra do chanceler Otto Von Bismarck, o grande político na Europa na 2ª metade do séc. XIX, que assegurou a posição da Alemanha na Europa através da “corrida” a inúmeras alianças e tratados de paz, com a aliança ao Império Austro-Húngaro e um entendimento diplomático com a Rússia.
Consciente da hostilidade francesa desde a anexação da Alsácia-Lorena, Bismarck procura, no plano diplomático, isolar a França.
Em 1879, sob o seu impulso, teve lugar a primeira aproximação entre a Alemanha e a Áustria-Hungria. Em 1881, a Itália pede a sua integração na associação germano-austriaca, por oposição à França que “ocupara” a Tunísia, território esse que a Itália reivindicou. A 20 de Maio de 1882 um acordo tripartido foi então realizado: a Triplica Aliança. No entanto, a Itália não era uma aliança “certa”. De facto, ela reivindicava território de domínio austríaco. Esta aliança foi, no entanto, constantemente renovada, mesmo enquanto a atitude da Itália se tornava cada vez mais ambígua, particularmente com a assinatura de um acordo secreto de neutralidade com a França em 1902.
Em 1888, sobe ao trono o Kaiser Guilherme II, um jovem governante imprudente na análise diplomática. Este engendrou a demissão de Bismarck. Muito do trabalho de Bismarck foi desfeito nas décadas seguintes e, as alianças tornavam-se cada vez menos flexíveis, aumentando as possibilidades de confrontos e as hostilidades. Surge, assim, com Guilherme II a Weltpolitik, a concepção germânica de geoestratégia.
A França acabava, entretanto, de sair do isolamento a que tinha sido votada. A 27 de Agosto de 1891, uma convenção militar secreta é assinada entre a França e a Rússia. A aliança franco-russa foi reforçada em 1912 e previa uma aliança defensiva entre os dois países.
Em 1904, preocupados com o progresso económico e comercial do Império Alemão e da potência marítima adquirida pela frota alemã, o Reino Unido aceita, finalmente, sair do seu isolamento. A aproximação franco-britânica é conseguida com a assinatura da Entente Cordiale, em 1904. Esta, porém, ainda não era um tratado de aliança, mas os seus destinos estavam cada vez mais interligados.
Finalmente, em 1907, sob influência da França, o Reino Unido e a Rússia acertam os seus diferendos na Ásia, delimitando as suas respectivas zonas de influência. Nasce assim a Tríplice Entente.
Pretexto para o despoletar da guerra
Neste contexto de conflituosidade, hostilidades, de corrida armamentista, de prontidão militar,…, tudo estava a postos para o deflagrar da guerra, mas faltava o pretexto, um motivo que legitimasse a guerra. Este seria o assassinato, a 28 de Junho de 1914, do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Húngaro e de sua esposa Sofia, em Sarajevo, pelo estudante sérvio Gavrilo Princip, que pertencia ao grupo nacionalista-terrorista armado Mão Negra que lutava pela unificação dos territórios que continham sérvios. Este acontecimento foi o pretexto dado para o desencadear de eventos que rapidamente deram origem à guerra.
Isabelle Almeida nº 52241
Juliana Vieira nº 52238
História das Relações Internacionais 1ºano
segunda-feira, 21 de abril de 2008
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Reunião dos alunos do 1º ano de R.I
No próximo dia 15 de abril, decorrerá pelas 14h30 no Anf. 1.01 da EEG, uma reunião para os alunos do 1º ano de R.I, sobre a Comissão de Festas do 2º ano, com a seguinte ordem de trabalhos:
- Programa da comissão de Festas para o próximo ano lectivo
- Apresentação dos cargos correspondentes á respectiva comissão
- Apresentação das listas candidatas á Comissão de Festas
- Eleições por voto secreto
- Revelação dos resultados e tomada de posse da lista vencedora
Agradecemos a presença de todos os alunos do 1º ano.
Agenda de Conferências
I Ciclo de Conferências do Mestrado em Relações Internacionais
Global security and nuclear proliferation, Lassi Heininen (Universidade de Lapland)
15 de Abril, 17h00. Anf. 1.01 EEG
Da Presidência ao Presidente da União Europeia
7 de Maio, 15h30, Anf. 1.01 EEG (solicita-se a previa inscrição)
Segurança regional: o caso asiático, Luis Leitão Tomé (Universidade Autónoma de Lisboa)
20 de Maio, 17h00, Anf. 1.01 EEG
Riscos associados ás alterações climáticas: percepções internacionais, Anabela Carvalho (Universidade do Minho)´
3 de Junho, 17h00, Anf. 1.01 EEG
A (re)legitimação da guerra pelos media, Rui Novais (Universidade do Porto)
11 de Junho, 17h00, Anf. 1.01 EEG
Global security and nuclear proliferation, Lassi Heininen (Universidade de Lapland)
15 de Abril, 17h00. Anf. 1.01 EEG
Da Presidência ao Presidente da União Europeia
7 de Maio, 15h30, Anf. 1.01 EEG (solicita-se a previa inscrição)
Segurança regional: o caso asiático, Luis Leitão Tomé (Universidade Autónoma de Lisboa)
20 de Maio, 17h00, Anf. 1.01 EEG
Riscos associados ás alterações climáticas: percepções internacionais, Anabela Carvalho (Universidade do Minho)´
3 de Junho, 17h00, Anf. 1.01 EEG
A (re)legitimação da guerra pelos media, Rui Novais (Universidade do Porto)
11 de Junho, 17h00, Anf. 1.01 EEG
terça-feira, 8 de abril de 2008
Workshop de geopolítica 2008
Workshop de geopolítica 2008 na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC)
https://woc.uc.pt/feuc/event/dataEvent.do?elementId=667
Contactos da Organização em Coimbra:
Paula Carrasqueira
paula.carrasqueira@gmail.com
918 643 020
Daniel Oliveira Cardoso
daniel.oliveira.cardoso@gmail.com
968 258 717
https://woc.uc.pt/feuc/event/dataEvent.do?elementId=667
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Paula Carrasqueira
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918 643 020
Daniel Oliveira Cardoso
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