quarta-feira, 28 de maio de 2008

Guerra Fria: Períodos de Tensão

Recordando o que foi a guerra fria, um período de tensão após a 2ª Guerra Mundial até aos anos 80, provocada pela formação de dois grandes blocos: o Bloco Ocidental liderado pelos EUA, e o Bloco de Leste liderado pela URSS.
Apesar de as duas super-potências nunca se terem confrontado directamente, gerou-se um clima de profunda tensão que colocou por diversas vezes o Mundo á beira de uma guerra total
De entre todos os conflitos regionais há apenas alguns que mais se destacam. Nomeadamente: o Bloqueio de Berlim, Guerra da Coreia, Crise de Cuba, Guerra do Vietname, Guerra do Afeganistão e Guerra das Estrelas.

● Bloqueio de Berlim (24 de Junho de 1948 a 11 de Maio de 1949)
Após a derrota alemã na 2ª Guerra Mundial, os países vencedores impuseram-lhe duras sanções. Entre elas a divisão da Alemanha em quatro zonas de influência, cada uma chefiada por um dos vencedores: EUA, França, Reino Unido e URSS.
Berlim, a capital da Alemanha, também foi dividida, mesmo estando totalmente em território de influência soviética. Então a comunicação entre o lado Ocidental e a cidade fragmentada era feita por pontes aéreas e terrestres.
Em 24 de Junho de 1948, todas as rotas terrestres com Berlim ocidental foram fechadas pelas tropas soviéticas, numa violação dos acordos das Conferencias de Ialta e Potsdam.
Para não abandonar a zona ocidental de Berlim e dar vitória á URSS, os países ocidentais criaram uma grande e impressionante ponte aérea, a qual aterrou um avião de 3 em 3 minutos, em que os aviões americanos levaram mantimentos aos mais de 2 milhões de berlenienses que viviam no ocidente da cidade.
Estaline reconheceu a derrota dos seus planos em 11 de Maio de 1949. Pouco depois, a zona Americana, francesa e britânica uniram-se formando a Republica Federal da Alemanha, cuja capital era Bona. Da zona Soviética, nasceu a Republica Democrática Alemã com a capital Berlim.

● Guerra da Coreia (25 de Junho de 1950 e 27 de Julho de 1953)
A Guerra da Coreia travou-se entre 25 de Julho de 1950 e 27 de Julho de 1953, opondo a Coreia do Sul e os seus aliados, que incluíam os EUA e o Reino Unido, á Coreia do norte apoiada pela Republica Popular da China e pela URSS. O resultado foi a manutenção da divisão da Coreia em dois países, que perdura até aos dias de hoje.
Em 1950, os EUA e a URSS, ex-aliados, entram em conflito pelo controle da Coreia. Esta é cortada pelo paralelo 38, uma linha demarcatória que divide dois exércitos, dois Estados, dois sistemas políticos: a Republica da Coreia a sul, com o capitalismo apoiado pelos EUA; e a Republica Popular Democrática da Coreia a norte com o comunismo apoiada pela URSS. Em Julho de 1950, depois de várias tentativas para derrubar o governo do sul, a Coreia do Norte ataca de surpresa e toma Seul, a capital do sul. As Nações Unidas condenam o ataque e enviam forças para ajudar a Coreia do sul a repelir os invasores.
Em Setembro, as Forças das Nações Unidas começam uma ambiciosa ofensiva para retomar a costa oeste, ocupada pelo exército norte-coreano. No dia 15 desse mês, chegam com certa facilidade a Inchon, perto de Seul, e algumas horas depois entram na cidade ocupada. Os soldados norte-coreanos são vencidos pelos soldados das Nações Unidas. Três meses após o início das hostilidades, Seul é libertada e assim os EUA mantêm a sua supremacia no Sul. Em Outubro, as forças internacionais violam a fronteira do paralelo 38 como os coreanos haviam feito e avançam para a Coreia do Norte. A capital Pyongyang é invadida pelo exército sul-coreano e pelas tropas das Nações Unidas que se aproximam da fronteira com a China. Milhares de prisioneiros amontoados em campos de concentração esperam ansiosamente por um armistício.
Com a ajuda da China, as forças das Nações Unidas voltam para a Coreia do sul. E a luta pelo paralelo 38 continua.
Em 23 de Junho começam as negociações para a paz que duram dois anos e resultam num acordo feito em Panmujon, em 27 de Julho de 1953.
O único resultado foi o cessar-fogo. O tratado ainda não foi assinado e a Coreia continua dividida em norte e sul.
Já em 2000, os governos das duas Coreias anunciaram planos de reaproximação dos dois países. Isso significou o inicio da desmilitarização da região, a diminuição do isolamento internacional da Coreia do Norte e para milhares de Coreanos a possibilidade de reencontrar parentes separados.

● Crise dos mísseis de Cuba (1962)
Na sequência da Revolução triunfante em 1959, Cuba empreende uma aproximação política estratégica á URSS, afastando-se radicalmente dos EUA e tornando-se, cada vez mais, um dos palcos “quentes” da guerra fria.
Depois do fracasso americano na Baía dos Porcos, em Abril de 1961 Cuba e a URSS firmam convénios militares e ao mesmo tempo que os EUA de Kennedy estão decididos a vingar aquele desastre, Moscovo acusa Washington de actos de opressão contra Cuba e declara, em 11 de Setembro, estar a enviar auxílio militar para este país, o que preocupa os EUA. Em 1962 Krushev decide implantar secretamente mísseis soviéticos em Cuba.
A 16 de Outubro do mesmo ano, fotografias aéreas da CIA revelam a existência de rampas de lançamento capazes de receber mísseis nucleares, em fase de instalação na ilha de Cuba. A 18 de Outubro, o presidente Kennedy toma conhecimento do transporte em navios soviéticos de mísseis em direcção a Cuba. Perante a opinião pública em pânico, o Governo dos EUA decide agir com firmeza. Kennedy ameaça invadir Cuba ou bombardear as rampas de lançamento, mas opta por uma solução que ainda hoje perdura: o bloqueio naval á ilha, decretado a 22 de Outubro. Doze cargueiros russos invertem, então, a marcha.
A 26 desse mesmo mês, Krushev anuncia oficialmente a Kennedy que retira os mísseis sob o controlo da ONU, com a condição dos EUA não invadirem Cuba e a retirada dos mísseis americanos instalados em bases próximas da URSS, sobretudo os da Turquia. A crise, neste cenário, acaba por se desvanecer em 28 de Outubro de 1962.
● Guerra do Vietname (1964- 1973)
Os acordos de Genebra que, em 1954, puseram fim á guerra da Indochina, deixaram claramente estabelecida a possibilidade de reunificação do Vietname através de uma consulta popular, a realizar no prazo máximo de dois anos.
Esta cláusula, que nunca tinha agradado aos EUA, foi pouco depois rejeitada pelo governo do Vietname do sul, que propôs lutar, de armas na mão, contra o comunismo.
Como resposta ao regime policial e corrupto instalado nu sul e ao não cumprimento dos acordos de Genebra, formam-se, em 1960, a frente de libertação nacional (FNL), cujo braço armado- o Vietcong- conta com a ajuda do governo de Oh Chi Minh.
Perante a escalada da guerrilha Vietcong, o presidente Lyndon Johnson decide uma intervenção directa no conflito.
A Guerra do Vietname rapidamente se transformou num pesadelo táctico para os generais americanos que, treinados para uma guerra convencional, se defrontavam com os métodos furtivos de ataque de fuga da guerrilha Vietcong. A selva inóspita e o apoio das populações aos guerrilheiros jogavam em desfavor do bem apetrechado exército dos EUA.
O recurso á violência sobre os civis (a destruição de aldeias foi uma constante nesta guerra), o uso de armas químicas, os bombardeamentos intensos rapidamente denegrira a actuação americana e lhe retiraram legitimidade. Entretanto, animados de um espírito de resistência nacionalista que o Presidente Johnson nunca lhe quis reconhecer, os guerrilheiros do Vietcong continuavam a ganhar pontos ao exército mais poderoso do Mundo.
Em 1968, depois de uma fulgurante ofensiva conjunta do Vietname do norte e das forças do Vietcong, os americanos reconhecem a necessidade de procurar uma “Paz com Honra” e anunciam a retirada progressiva (mas lenta) das suas tropas na região.
A intervenção no Vietname constituiu o mais duro revés da política de contenção Americana. Os EUA não só conseguiram evitar a reunificação do país sobe a bandeira vermelha do Comunismo como saíram da Guerra desprestigiados, marcados aos olhos do 3º Mundo com o ferrete do imperialismo.



● Guerra do Afeganistão
A Guerra do Afeganistão ou invasão soviética do Afeganistão foi um conflito armado de nove anos entre tropas de soviéticas, que apoiavam o governo marxista do Afeganistão, e insurgentes mujahidin afegãos, procuravam derrubar o regime comunista no país. No contexto da Guerra Fria, a União Soviética apoiou o governo, enquanto que os rebeldes receberam apoio dos EUA, do Paquistão e de outros muçulmanos. O conflito coincidiu no tempo com a Revolução Iraniana (1979) e a Guerra Irão- Iraque.
As primeiras tropas soviéticas a entrar no Afeganistão chegaram em 25 de Dezembro de 1979. A retirada final começou em 15 de Maio de 1988 e foi concluída em 15 de Fevereiro de 1989. Devido ao alto custo e ao resultado malogrado para aquela superpotência da Guerra Fria, a intervenção soviética no Afeganistão costuma ser comparada ao que foi, para os EUA, a Guerra do Vietname. Alguns estudiosos pensam que o custo económico e militar da guerra contribuiu consideravelmente para o colapso da União Soviética em 1991.

● Guerra das Estrelas
A chegada de Ronald Reagan á Casa Branca (Janeiro de 1981), apoiado pelos conservadores, é marcada por um discurso nacionalista da defesa dos valores americanos e a recuperação do orgulho americano. Para Reagan, os americanos deviam resistir ao “Império do Mal” (discurso de 1983, Florida), sendo a missão dos EUA a defesa da liberdade e da democracia. Uma América forte e respeitada eram o novo lema. Para isso, os americanos deviam rearmar-se e ultrapassar os soviéticos na corrida aos armamentos. Com essa finalidade foi lançado um novo programa de armamento, a Iniciativa de Defesa Estratégica (IDE), mais conhecido como “Guerra das Estrelas”. Este programa visava colocar um sistema no espaço que permitisse detectar qualquer ataque, eliminando-o.
No segundo mandato (1985), Reagan muda de atitude em relação á URSS. Do lado soviético, Gorbatchev chegava ao poder e dava prioridades á modernização da economia relativamente á corrida aos armamentos. A situação económica da URSS não lhe permitia desenvolver um programa de resposta á Guerra das Estrelas. Uma 1ª proposta soviética de interdição definitiva aos ensaios nucleares e de eliminação das armas atómicas, antes do ano 2000, não obteve resposta dos EUA, devido á intransigência dos sectores ligados a Reagan.
Mas a economia americana perdia competitividade em relação á japonesa, o défice aumentara e não permitia o aumento das despesas militares. Além do mais a Guerra das Estrelas era demasiado dispendiosa e colocava desafios á investigação não possíveis de resolver de imediato. Surgiu também um escândalo relacionado com a venda de armas ao Irão e Reagan precisava de compensar os desaires em política externa. Seguem-se então encontros entre os dois dirigentes (Genebra, 1985, Islândia, 1986) que vão tendo alguns sucessos. Gorbatchev aceita retirar totalmente os Euromísseis da Europa de Leste e há um compromisso dos armamentos estratégicos em 50% por ambas as partes. Para finalizar em 1987 é estabelecido o 1º acordo real de desarmamento nuclear, o Tratado de Washington que prevê a eliminação dos mísseis de curto e médio alcance na Europa, em 3 anos. Pela 1ª vez, os dois campos comprometiam-se a destruir uma parte do seu arsenal e aceitavam o controlo mútuo.

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